João Santana e Monica Moura deixam carceragem da PF em Curitiba

Andreza Rossini


O marqueteiro do PT João Santana e a esposa, sócia e publicitária Monica Moura, deixaram a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, na tarde desta segunda-feira (1). O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, determinou nesta manhã que os investigados fossem soltos.

“Depois que eles prestaram depoimento na semana passada o juiz entendeu que não existe mais a necessidade da prisão preventiva, já que eles estão colaborando com a operação”, afirmou o advogado do casal Fábio Tofic Simantob.

Santana e Moura precisaram pagar o total de R$ 31,5 milhões em fiança, o maior valor pago na Operação. O dinheiro foi apreendido nas contas do casal durante as investigações. São R$ 28 milhões de Monica e R$ 2.756.426,95 de João de Santana.

Foto: Equipe Paraná Portal
Foto: Equipe Paraná Portal

Eles não podem sair do pais ou encontrar outros investigados na operação. Tanto Santana quanto Mônica estão proibidos pela Justiça de atuar de qualquer campanha eleitoral no Brasil até nova deliberação.

O casal foi preso no dia 23 de fevereiro, durante a 23ª fase da Operação, conhecida como Acarajé e negocia acordo de delação premiada com a justiça.

Depoimento

Em depoimento a Moro a publicitária, esposa e sócia do marqueteiro João Santana, admitiu que os R$ 4,5 milhões recebidos por sua empresa em uma conta na Suíça através do empresário Zwi Skornicki tinham como objetivo a quitação de parte da dívida da campanha da presidente Dilma de 2010 com os publicitários. Ela disse, ainda, que os recursos não foram registrados na Justiça Eleitoral e nem declarados por sua empresa. “Era Caixa 2 mesmo”, admitiu.

“Esses R$ 4,5 milhões foram parte de um dívida de R$ 10 milhões que o PT tinha com a gente da campanha de 010 da presidente Dilma. Cobrei muito essa dívida, lutei para recebê-la, até que o João Vaccari Neto (então tesoureiro do PT) me indicou o Zwi, empresário que estaria interessado em contribuir com o partido. Acertei com ele, então, o pagamento destes R$ 4,5 milhões”, disse. “Nunca perguntei a origem do dinheiro, queria apenas ser remunerada pelo meu trabalho”, acrescentou.

Ao prestar depoimento à Polícia Federal, em fevereiro, quando foi presa na 23ª fase da Operação Lava Jato, Mônica havia declarado que os recursos eram referentes a trabalhos prestados para campanhas políticas em Angola. Questionada pelo juiz por que não falou a verdade na ocasião, ela disse que não queria incriminar a presidente Dilma no momento político que o Brasil atravessava. “Não falei a verdade, primeiro porque ser presa é uma situação extrema, não é fácil raciocinar em uma situação dessas. Segundo, porque na situação que o Brasil estava, com toda a pressão sofrida pela presidente Dilma, eu não quis influenciar nisso, não quis incriminar a presidente, eu achava que ia contribuir para piorar a situação do Brasil falando o que realmente aconteceu e, por isso, disse que era referente a uma campanha no exterior”, afirmou.

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