Operação Lava Jato
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Justiça confirma audiência com lobista em ação que envolve Claudia Cruz

A 13ª Vara Federal de Curitiba, solicitou escolta da Polícia Federal ao lobista João Augusto Rezende Henriques, apontado..

Narley Resende - 29 de setembro de 2016, 12:09

A 13ª Vara Federal de Curitiba, solicitou escolta da Polícia Federal ao lobista João Augusto Rezende Henriques, apontado pela Força-tarefa Lava Jato como o operador de propina do PMDB com recursos desviados da Petrobrás. Em ofício, a juíza que auxilia o juiz Federal Sérgio Moro na Lava Jato, pediu a permanência de Henriques na Justiça Federal nos dias 17, 18 e 19 de outubro, quando serão ouvidos réus da ação penal que envolve a mulher do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Cláudia Cruz.

Além de Cláudia Cruz e o operador João Augusto Rezende Henriques, denunciado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção passiva, são réus no mesmo processo o empresário português Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, proprietário da CBH (Companie Beninoise des Hydrocarbures Sarl), acusado de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; e o ex-diretor a área internacional da estatal, Jorge Luiz Zelada, por corrupção passiva.

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Além da ação em que é réu ao lado de Claudia Cruz e Zelada, Henriques já foi condenado a seis anos e oito meses de prisão por corrupção passiva em ação relacionada à 19ª fase da operação Lava Jato. Ele está detido do Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Entre os dias 5 e 19 de outubro, por videoconferência, a partir do prédio da Justiça Federal de Brasília, também serão ouvidos no mesmo processo os deputados federais Hugo Motta (que presidiu a CPI da Petrobras), dia 18, Carlos Marun (principal defensor de Cunha no processo de cassação do parlamentar), no dia 5 de outubro, e Jovair Arantes, relator, na Câmara, do processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, no dia 19 de outubro, às 10h.

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Também testemunhará em defesa de Cláudia Cruz o atual ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintela, que comunicou que usará a prerrogativa de depor em videoconferência direta da sede do Ministério.

A denúncia é vinculada com ação penal, remetida pelo STF ao Paraná, a que Cunha responde por não ter declarado contas no exterior. No processo paralelo, Claudia Cruz é citada como beneficiária das contas atribuídas ao deputado na Suíça.

Lavagem de dinheiro

Na ação, o Ministério Público Federal (MPF) afirma que Cláudia Cruz foi beneficiária direta de parte da propina de US$ 1,5 milhão recebida pelo marido Eduardo Cunha, para viabilizar a compra, pela Petrobras, de metade de um bloco para exploração de petróleo em Benin, em 2011. O valor do negócio foi de US$ 34,5 milhões.

Os investigadores afirmam que ela também recebeu no exterior dinheiro de outras contas controladas por Cunha. Eduardo Cunha só declarou as contas no exterior e os gastos com cartões de crédito depois que foram revelados na Lava Jato.

Os procuradores afirmam que Cláudia Cruz tinha plena consciência dos crimes que praticava, e era a única controladora da conta na Suíça, utilizada para pagar as despesas no cartão de crédito. Em sete anos, os gastos ultrapassaram US$ 500 mil.

Segundo o Ministério Público, foram despesas com artigos de luxo em cidades como Paris, Roma e Dubai. “Um tipo de lavagem de dinheiro foi a conversão desse dinheiro em bens de luxo, ou seja, dinheiro público foi convertido em sapatos e roupas de grife”, destacou o procurador Deltan Dallagnol.