Justiça encontra R$ 800 mil nas contas de Palocci

Fernando Garcel


Com informações de Thaissa Martiniuk

A Justiça Federal encontrou pouco mais de R$ 800 mil em três contas bancárias vinculadas ao ex-ministro da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e ex-ministro da Fazenda no governo Lula, Antônio Palocci, preso na deflagração da 35ª fase da Operação Lava Jato. As contas da empresa Projeto Consultoria Empresarial e Financeira, de propriedade de Palocci , foram encontrados cerca de R$ 30 milhões. Nas contas do ex-assessor do ex-ministro, Branislav Kontic, foram localizados apenas R$ 1,5 mil reais e na de Juscelino Dourado, o ‘JD’, nada foi encontrado.

PF abre inquérito contra Odebrecht e Palocci
> PF interroga Palocci nesta quinta-feira em Curitiba

A informação consta da planilha com resultados do rastreamento realizado pelo Banco Central por ordem do juiz Sérgio Moro. A Justiça Federal mandou sequestrar R$128 milhões do ex-ministro e dos outros dois detidos nesta fase da operação.

Palocci está preso desde segunda-feira (26), quando foi deflagrada a Operação batizada de Omertà. Os três detidos são suspeitos de participação em um esquema de pagamento sistemático de propinas que beneficiava o Partido dos Trabalhadores e a empreiteira Odebrecht.

Em despacho que determinou o bloqueio dos ativos, Moro disse que não importa se os valores ilícitos depositados nas contas bancárias foram misturados com ganhos de procedência lícita. De acordo com o juiz, o sequestro e o confisco atingem os ativos até o montante da vantagem indevida recebida.

O magistrado também esclareceu que a medida “apenas gera o bloqueio do saldo do dia constante nas contas ou nos investimentos, não impedindo a continuidade das atividades das empresas que, eventualmente, exerçam atividade econômica real”. No caso das pessoas físicas, Moro explicou que caso haja bloqueio de valores referentes a salários a liberação será feita conforme requerimento das partes.

Operação Omertà

São investigadas na Operação Omertà, 38 obras da empreiteira Odebrecht em todo o País e no exterior. O relatório do delegado federal Filipe Hille Pace relacionou os alvos da investigação (veja imagens abaixo). “Relaciono algumas das obras públicas e/ou consórcios e empresas indicadas no documento mencionado, repetindo que, por se tratarem de arquivos recuperados, estão parcialmente corrompidos, não sendo permitindo vincular diretamente as obras e/ou consórcios e empresas indicadas com os beneficiários encontrados e mencionados acima”, afirma.

Segundo os integrantes da força tarefa, o material analisado e que embasou a operação desta segunda-feira foi encontrado em outras fases da Operação, como por exemplo, uma planilha encontrada durante a fase Acarajé e outra encontrada no celular de Marcelo Odebrecht.

Segundo o MPF, os pagamentos feitos à conta eram constantes.  “Existe um pagamento que é feito constantemente e que forma um caixa mesmo, uma poupança e de onde são depois, pelo gestor da conta, no caso o senhor Antônio Palocci, destinados aos pagamentos de interesse do partido”, disse a procuradora Laura Gonçalves.

Defesa
O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, criticou a prisão de seu cliente, dizendo que tudo ocorreu de maneira secreta, ao estilo ditadura militar. “Estamos voltando aos tempos do autoritarismo, da arbitrariedade. Não há necessidade de prender uma pessoa que tem domicílio certo, que foi duas vezes ministro, que pode dar todas as informações quando for intimado. É por causa do espetáculo?”, disse.

Previous ArticleNext Article