Operação Lava Jato
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Lava Jato 3 anos: o que virá?

Metro Jornal Curitiba No dia 17 de março de 2014, há exatos três anos, a PF (Polícia Federal) anunciava a prisão ..

Narley Resende - 17 de março de 2017, 08:03

Metro Jornal Curitiba

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No dia 17 de março de 2014, há exatos três anos, a PF (Polícia Federal) anunciava a prisão do doleiro Alberto Youssef e mais 23 suspeitos de crimes financeiros na operação batizada de “Lava Jato”. Após esse tempo e com a revelação da corrupção no Brasil em dimensões inéditas, seria normal que os órgãos de investigação – PF e MPF (Ministério Público Federal – fizessem um balanço conclusivo prevendo o fim da operação, que já teve 38 fases.

Mas em conversas de ambas as instituições com o Metro Jornal – ao lado da Band TV e da Rádio Bandnews –, os investigadores falaram pouco do passado: o assunto foi o que ainda falta ser feito. Por essa razão, o jornal quebra uma tradição nas retrospectivas da Lava Jato que são feitas a cada fim de ano e cada aniversário da investigação. Em vez de relembrar o que já passou, o jornal elenca sete pendências e preocupações que estão na cabeça da força-tarefa.

A principal delas é a delação da Odebrecht. Após quase um ano de negociação, o acordo foi fechado, homologado e gerou, nesta semana, o pedido de 83 inquéritos contra detentores de foro privilegiado e 211 outras investigações pelo Brasil. A chamada ‘segunda lista de Janot’ foi só o começo. PF e MPF preveem um 2017 intenso de trabalho com os ‘filhotes’ da delação: no STF (Supremo Tribunal Federal), os novos inquéritos devem atravancar a mesa do relator Edson Fachin, o que ameaça a agilidade das apurações. Pelo país, espera-se uma enxurrada de novas denúncias em âmbito federal, estadual e municipal.

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“Eu acho que vai dar frutos por muitos anos”, aposta o delegado da PF Igor Romário de Paula, que não se arrisca a dizer quando a Lava Jato acaba. “Eu já cometi esse erro três vezes: em três anos falei que a operação ia acabar e ela não acabou. Qualquer expectativa de fim da investigação é pura especulação”, diz.

  • 198 prisões foram feitas ao longo das 38 fases da Lava Jato. Hoje são 20 detidos em Curitiba, entre a sede da PF e o Complexo de Pinhais
  • 156 delações premiadas foram feitas, sendo que metade, 78 delas, são parte do “pacote” fechado pelos executivos da Odebrecht
  • 27 processos já foram julgados por Sérgio Moro, resultando em 125 condenações, que somam 1.317 anos de prisão nas sentenças
  • R$ 10,1 bilhões já foram recuperados pelos acordos de colaboração, sendo R$ 757 milhões que estavam escondidos no exterior

Frutos da delação da Odebrecht 

O ministro do STF Edson Fachin pode levantar, nos próximos dias, o sigilo sobre os 320 pedidos da ‘Lista de Janot 2’ baseados na delação da Odebrecht. Outras empreiteiras, como a Camargo Corrêa, negociam acordos semelhantes, o que vai gerar investigações espalhadas pelo Brasil. “Eu vislumbro hoje a Lava Jato como um verdadeiro nascedouro de provas”, diz o procurador do MPF Roberson Pozzobon. “ parar as investigações enfraquecendo a força-tarefa. Garantem que o apoio material é dado e pode aumentar. “Vamos fazer da melhor forma possível e, se necessário, solicitando novos recursos e novo pessoal”, diz o procurador Roberson Pozzobon, do MPF.

Foco em Brasília

Embora casos como o do ex-presidente Lula ainda estejam sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro, a força-tarefa no Paraná deverá perder protagonismo. “É natural que tenhamos um número menor de fases ao longo deste ano. É essa mudança de eixo: a tendência é que os casos mais relevantes tenham origem a partir de Brasília”, projeta o delegado Igor Romário de Paula, da PF

Lava Jato ‘tipo exportação’

A Odebrecht confessou ter pago propinas em 11 países além do Brasil, relato que se soma a outros casos de corrupção internacional levantados pela Lava Jato. A tendência é que essas investigações avancem pelo mundo em 2017. “É um dado que não nos orgulha: exportar corrupção”, constata o procurador Roberson Pozzobon, do MPF.