Lava Jato ainda vai chegar em portos, aeroportos e ferrovias, diz Paulo Roberto Costa

Roger Pereira


Em depoimento à Justiça Federal de Curitiba na tarde desta quarta-feira (5), o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, reafirmou a existência de um cartel das empreiteiras que mantinham contratos com a estatal, o pagamento de propina a ex-diretores da companhia e a agentes políticos por parte dessas empresas e a indicação política de todos os cargos de direção – justamente para operar esse pagamento de propinas, revelações já feitas anteriormente em diversos outros depoimentos do delator.

Costa afirmou, no entanto, que a investigação do Ministério Público Federal (MPF), na forma que está sendo conduzida, poderá chegar às obras de portos aeroportos e rodovias que, segundo ele, foram negociadas em termos semelhantes aos contratos da Petrobras.

Questionado sobre se houve pressão ou chantagem para que as empresas pagassem propina nos contratos da Petrobras, Paulo Roberto Costa disse que nunca foi necessário, “porque elas [as empresas] nunca se recusaram a pagar, pois queriam manter o bom relacionamento com os agentes políticos, pois a Petrobras, como a operação já está desvendando, era apenas uma das frentes de ação deste cartel, que também usava do mesmo expediente em hidrelétricas, usinas nucleares, portos, aeroportos e ferrovias, que ainda devem aparecer nas investigações de vocês”.

“Não havia interesse de nenhuma empresas dessas deixar de honrar, porque depois, um partido desses que estivesse em alguns desses ministérios, poderia prejudicar essas empresas”, declarou.

Operação Abismo

Paulo Roberto Costa depôs na ação penal relativa à 31ª fase da Lava Jato, batizada de Abismo.

Esta etapa da operação investiga suspeita de crimes como fraudes licitatórias, formação de cartel e lavagem de dinheiro no contrato firmado com o Consórcio Novo Cenpes, para reforma do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras, no Rio de Janeiro.

O principal alvo da Abismo é o ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, que está preso preventivamente em São Paulo. Costa disse, no entanto, não ter tido nenhuma relação direta com Ferreira sobre propinas ou qualquer outro assunto, alegando, também que a obra do Cenpes foi de responsabilidade da diretoria de serviços da estatal, que não estava sob sua alçada.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal