Lava Jato investiga condomínio usado para lavagem de dinheiro

Fernando Garcel


Por Fernando Garcel e Mariana Ohde

A Polícia Federal (PF) retomou os trabalhos da Operação Lava Jato no início da manhã desta quarta-feira (27). A 22º fase, batizada de Triplo X, vai investigar todos os apartamentos do condomínio Solaris, na praia das Asturias, no Guarujá (SP).

A suspeita é a de que eles tenham sido usados para lavagem de dinheiro proveniente do esquema de corrupção na Petrobras. Parentes do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, teriam apartamentos no empreendimento. Há, ainda, a possibilidade de que um apartamento que supostamente pertence ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja investigado, segundo o procurador da operação Lava Jato, Carlos Fernando do Santos Lima.

Os pagamentos de propina seriam realizados pela empreiteira OAS, que assumiu o empreendimento que, originalmente, era da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), que já teve como presidente João Vaccari Neto. A investigação aponta que imóveis do empreendimento, avaliados em R$ 1 milhão, eram vendidos por cerca de R$ 200 mil, o que pode indicar os pagamentos de propina e a lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, é possível que mais políticos estejam envolvidos.

A respeito do apartamento do ex-presidente Lula – que foi declarado por ele à Justiça Eleitoral nas eleições de 2006 -, a Polícia Federal informou que todos os apartamentos serão investigados e, se o ex-presidente ou sua família possuírem um imóvel, eles serão investigados “como todos os outros”, afirmou o procurador.

De acordo com a Polícia Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Bancoop e na OAS na manhã desta quarta-feira. Também houve buscas em São Paulo, Santo André e São Bernardo do Campo.

Dinheiro no exterior
A Lava Jato investiga, também, um grupo criminoso que auxiliaria os investigados da operação a movimentar dinheiro proveniente de propina no exterior.  A movimentação era realizada pela empresa Mossack Fonseca, especializada em abrir companhias offshores. Entre os investigados que têm offshores estão ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, o empresário Mário Goés e o ex-gerente de Serviços da estatal, Pedro Barusco.

Seis mandados de prisão contra pessoas ligadas à empresa foram expedidos. Três foram cumpridos no Brasil e outros três são para suspeitos no exterior. Alguns dos presos podem ser laranjas de pessoas que ainda não foram identificadas.

Entre os crimes investigados estão corrupção, fraude, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Todos os presos vão ser encaminhados para a Superintendência da PF, em Curitiba. Os mandados de prisão temporária vencem em cinco dias, mas podem ser prorrogados por mais cinco ou convertido em prisão preventiva, quando não existe prazo determinado para a liberação.

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