Lava Jato investiga sete membros da CPI de 2009

Narley Resende


Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

A Polícia Federal (PF) deve ouvir em breve Ildefonso Colares e Othon Zanoide, ex-dirigentes da Queiroz Gaivão já presos, suspeitos de pagar RS 10 milhões ao ex-senador Sérgio Guerra (PSDB), morto em 2014. para barrar uma CPI da Petrobras em 2009.

Aberta no Senado em julho daquele ano, esta CPI investigava “embriões” de fraudes na Petrobras reveladas pela Lava Jato anos depois.

Vários membros daquela CPI, que terminou sem indiciar ninguém, são hoje investigados na Lava Jato: os senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Valdir Raupp (PMDB-RR), Fernando Collor (PTC-Al, à época no PTB), Ideli Salvatti (PT-SC) e o próprio Sergio Guerra (PSDB-PE), entre os titulares, e Delcídio do Amaral (então no PT-MS), Heraclito Fortes (PSB-PI, à época no DEM) e Gim Argello (PTB-DF) como suplentes.

Argello, curiosamente, está preso há quase quatro meses por suspeita de cobrar propina para empenar outras duas CPIs sobre a Petrobras em 2014.

Sobre a comissão de 2009, o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) já foi acusado ao STF (Supremo Tribunal Federal), de pedir com Sérgio Guerra os RS 10 milhões aos executivos presos na última terça-feira na 33ª fase da Lava Jato, a “Resta Um“.

Contra o deputado pesam delações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef e do operador Fernando Baiano, além de um vídeo, gravado em outubro de 2009, em que o grupo trata de esvaziar a CPI em troca de propina.

“Era para ter todo o combate [a CPI) sem ir atrás das pessoas. primeiro porque nós não somos da polícia, segundo porque eu não gosto disso, terceiro porque acho que não construía em nada”, diz Guerra, no vídeo, a Ildefonso Colares, que prometeu “dar suporte” ao senador.

A CPI apurava suspeitas de fraudes na Petrobras em patrocínios, pagamento de royalties a prefeituras, na construção de seis plataformas e em obras de terraplenagem da Refinaria Abreu e Lima. Vários requerimentos da CPI foram derrubados ao longo dos meses, inclusive o de chamar para depor o ex-diretor da Petrobras Renato Duque.

“Os requerimentos de maior consistência foram arquivados, foram rejeitados sem debate, sem discussão”, protestou à época o senador Alvaro Dias (PSDB-PR, hoje no PV), que compunha a CPI.

O próprio Alvaro Dias teria recebido propina recolhida por Sergio Guerra, segundo outro delator, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE).

O senador nega a acusação, que chama de “vingança contra quem foi dos primeiros a denunciar e adotar providências contra a corrupção na Petrobras”. Já Eduardo da Fonte afirma que enviou 18 pedidos ao MP para apurar crimes na estatal.

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