Lava Jato já atinge metade dos estádios da Copa 2014

Redação


Dois anos depois da abertura da Copa do Mundo 2014, evento que fez o Brasil gastar cerca de R$ 30 bilhões na construção ou reforma de 12 estádios, metade das obras está na mira da Lava Jato.

Quando o senador Romário (PSB-RJ) disse em 2012, ainda como deputado federal, que a Copa seria “o maior roubo da história do Brasil”, talvez não imaginasse as evidências de corrupção que já existem hoje.

Desde que se expandiu para além da Petrobras, em 2015, a lava Jato já encontrou indícios de desvios em pelo menos seis das 12 arenas que sediaram o Mundial. Estão na lista uma obra da OAS (Arena das Dunas-RN), duas da Odebrecht (Arena Corinthians-SP e Arena Pernambuco-PE), duas da Andrade Gutierrez (Mané Garrincha-DF e Arena da Amazônia-AM) e uma do consórcio Andrade / Odebrecht (Maracanã-RJ).

As propinas ligadas aos três estádios da Andrade foram reveladas, segundo a TV Globo, nas delações ainda em sigilo de executivos da empreiteira. O Metro Jornal confirmou que duas das obras (Maracanã e Arena Amazônia) constam no acordo de leniência da empresa, e as investigações estão a cargo do MPF no Rio e no Amazonas, respectivamente. Já as suspeitas sobre a Odebrecht surgiram ainda antes da delação.

Em agosto do ano passado, a PF (Polida Federal) no Recife deflagrou a operação “Fair Play”, que já tinha em vista um superfaturamento de RS 48,7 milhões na Arena Pernambuco, construída do zero para a Copa.

No dia 2 de junho, o juiz Sérgio Moro autorizou que a PF pernambucana tenha acesso às provas da Lava Jato, que examina, desde a 26″ fase (a Operação Xepa), negócios da Odebrecht em vários setores, inclusive estádios.

Também foi na operação Xepa que nasceram os indícios sobre a Arena Corinthians, que aparece entre dezenas de obras nas planilhas apreendidas pela PF.

Um terceiro estádio conduzido pela Odebrecht, a Arena Fonte Nova, em Salvador, está na mira do TCE-BA (Tribunal de Contas do Estado da Bahia), que aponta sobrepreço de RS 460 milhões na obra.

A Lava Jato, porém, ainda não avançou no caso. Se confirmada, a delação da empreiteira pode esclarecer a situação. Já a Arena das Dunas-RN é parte da investigação sobre a OAS, que pediu recuperação judicial e anunciou há mais de um ano a intenção de vender sua participação no estádio. A suspeita surgiu de mensagens achadas no celular de Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora.

Delações podem incluir arenas na investigação

Dos seis estádios sem suspeitas conhecidas, três (Arena Fonte Nova-BA, Arena Pantanal-MT e Arena Castelão-CE) contaram com dinheiro público e envolvem empreiteiras da Lava Jato.

Além da Odebrecht (Fonte Nova), a Gaivão Engenharia (Arena Castelão) e a Mendes Júnior (Arena Pantanal) podem dizer o que sabem sobre as obras em eventuais delações.

Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, as negociações de delação da cúpula da Mendes Júnior estão “adiantadas”. A possibilidade de descobertas parece mais distante em três estádios.

As reformas no Beira Rio-RS e na Arena da Baixada-PR foram negociadas diretamente com os clubes (Internacional e Atlético-PR). Já o Mineirão-MG foi restaurado por uma PPP (Parceria Público-Privada) com um consórcio formado por Construcap, Egesa e HAP Engenharia.

Casos devem ser descentralizados 

Embora os indícios sobre os estádios tenham surgido na Lava Jato, a tendência é que a força-tarefa não concentre os casos: cada investigação deverá ser assumida pela PF e o MPF do estado em questão.

“Os casos devem ficar na Justiça Federal, porque houve recursos da União nas obras. Mas é improvável que seja aqui [na Lava Jato]. O entendimento tem sido desmembrar o que não for ligado à Petrobras”, diz o procurador do MPF Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa da Lava Jato.

Assim, é pouco provável que a PF deflagre uma fase da Lava Jato chamada de “7×1 foi pouco” ou “Gol da Alemanha”, que seria dedicada apenas às obras dos estádios.

Cresce pelo país o volume de investigações que Carlos Fernando dos Santos Lima, outro membro do MPF, chama de “filhotes da Lava Jato”. Dois desdobramentos já se traduziram em viaturas nas ruas: em dezembro, a operação ‘Cratons’ revelou um esquema de exploração ilegal de diamantes em Rondônia.

Já em fevereiro, a PF descobriu propinas por ferrovias em Goiás, na operação ‘O Recebedor’.

coap

(Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba)

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