Lava Jato já deu informações a investigações em 12 países

Fernando Garcel

– Por Rafael Neves, do Metro Jornal Curitiba

Para alcançar a abrangência atual, a Lava Jato já precisou de informações — dados bancários, na maior parte — de 30 países. Mas a operação também dá sua contrapartida ao mundo: doze nações têm apoio da Lava Jato em investigações internas. Sete destes países – Argentina, Costa Rica, Guatemala, Panamá, Peru, Porto Rico e Uruguai — estão na América Latina, região com dezenas de obras das principais construtoras brasileiras e também da Petrobras.

Em todos há casos de corrupção locais que, em maior ou menor grau, envolvem as companhias alvos da Lava Jato por aqui. “As empresas que estão sendo investigadas no Brasil têm que ser investigadas também e processadas por crimes cometidos internacionalmente”, diz Bruno Brandão, representante no Brasil da ONG TI (Transparência Internacional), que atua no combate à corrupção em todos os continentes.

Os países de fora têm acesso às informações da Lava Jato através de acordos de cooperação internacional com a PGR (Procuradoria-Geral da República). Além do eixo latino-americano, onde há até presidentes da República sob suspeita, a Lava Jato exportou ajuda a cinco países europeus: Andorra, Dinamarca, Itália, Liechtenstein e Suíça.

CapturarA troca de informações mais intensa é com os suíços, que já forneceram ao Brasil dados bancários de todos os ex-diretores da Petrobras envolvidos no escândalo, além de políticos como o deputado afastado da presidência da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), além de terem restituído ao Brasil a maior parte dos RS 2,9 bilhões que a Lava Jato já recuperou.


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O Ministério Público suíço, por sua vez, se serviu de descobertas da Lava Jato em pelo menos duas grandes investigações. “No caso da Lava Jato, a relação com a Suíça tem se mostrado uma via de mão dupla extremamente eficiente, o que tem permitido a adoção de providências para salvaguarda dos interesses nacionais”, disse o procurador Antonio Carlos Welter, da força-tarefa da Lava Jato, em um evento com procuradores dos dois países no ano passado.


Ajuda mútua deve crescer, defende ONG

Para a ONG Transparência Internacional, não bastam acordos isolados entre os países para trocar informações, é preciso haver redes permanentes de colaboração. “Não há uma investigação conjunta. O que há é uma mútua assistência legal, há procuradores de outros países que vêm para cá atrás de informações. Nós queremos é que essa informação seja processada. Tem que haver reformas estruturais. O problema da corrupção no Brasil e na região é que ela é sistêmica”, diz o jurista peruano José Ugaz, presidente da ONG. “O crime organizado que atua no Brasil não se limita a esse velho conceito de fronteira. Para que nós possamos enfrentar esses grupos transnacionais, nós temos que ter uma coordenação da atuação dos ministérios públicos”, disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em evento no Uruguai no último mês.

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