Lula se diz vítima da maior perseguição política da história do Brasil

Roger Pereira

“Estou sendo vítima da maior caçada jurídica que um político brasileiro já sofreu”. Com essa frase, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva iniciou suas alegações finais após mais de quatro horas de depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelas ações penais relativas à Operação Lava Jato. Lula depôs como réu no processo em que é acusado de receber vantagens indevidas em três contratos da construtora OAS com a Petrobras e de ter sido beneficiado com a aquisição e a reforma de um apartamento tríplex no Guarujá-SP.

Já nos primeiros minutos, Lula foi interrompido por Moro que explicou que as declarações finais não são para fazer declarações políticas, mas para defender-se do processo. “Eu peço paciência, porque eu estou sendo julgado pelo que eu fiz no governo. Eu estou sendo julgado pela construção de um powerpoint mentiroso, uma ilação pura. Cisa de alguém que, desconhecendo a política, embarcou naquela tese de que o PT era uma organização criminosa e o Lula montou um governo para roubar. Esse é o contexto dessa denúncia”, disse.

O ex-presidente também reclamou de estar sendo criminalizado pelos meios de comunicação, citando o número de capas de revistas em que é atacado nos últimos dois anos e critica os vazamentos que fazem à imprensa. “Estão me procurando vivo ou morto”, disse. “A imprensa noticia com informações ou da polícia ou do Ministério Público”, reclamou.

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Lula ainda afirmou ter orgulho do que fez na Petrobrás e disse que, “se dentro da Petrobrás teve alguém que roubou, que pague pelo roubo, mas eu tenho orgulho do que tentei fazer na empresa”, disse.

O ex-presidente disse ser imperdoável o processo de corrupção e afirmou que esperava “mais respeito ao homem que deu dignidade ao País, ao Ministério Público, ao Poder Judiciário”. “Eu esperava que o Ministério Público trouxesse aqui documentos que comprovassem que esse apartamento é meu. Que se parem com as ilações e indiquem qual o crime que eu cometi. O crime não é agenda política, conversar com alguém, ou visitar um apartamento para ver se quer ou não comprar”. “Eu quero que se tenha respetio comigo. Se cometi um crime, provem qual foi o crime e eu serei punido. Mas, pelo amor de Deus, mostrem que têm provas”.

Lula criticou o vazamento de informações para a imprensa e disse que estão colocando os jornais em uma situação constrangedora quando ele for inocentado e provocou o Ministério Público Federal. “As capas de revista fazem mais acusações que os dados concretos das perguntas que vocês me fizeram. Pelas perguntas que vocês me fizeram, o dr. Moro sequer deveria ter recebido essa acusação”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal
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