Marcelo Odebrecht deve provar que “faz jus aos benefícios” da delação

Narley Resende


Com Juliana Goss, BandNews FM Curitiba

A defesa do empreiteiro Marcelo Odebrecht deve apresentar nesta segunda-feira (18) uma série de documentos à força-tarefa da Operação Lava Jato. O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a documentação, segundo petição, para avaliar se o empresário “faz jus aos benefícios” decorrentes do acordo de delação premiada e possibilita a progressão de regime.

Marcelo Odebrecht deve usar uma tornozeleira eletrônica a partir desta terça-feira (19) e seguir para a prisão domiciliar em São Paulo. Ele ficou em regime fechado, em prisão preventiva, por dois anos e meio na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Os procuradores pediram que a defesa apresentasse todos os documentos que comprovem o cumprimento do acordo de colaboração, como extratos bancários, valores de bens móveis e imóveis e o montante devolvido aos cofres públicos em conta judicial vinculada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No texto, os procuradores destacam que não questionam a destinação dos valores depositados por Odebrecht à Justiça, no entanto, eles apontam que a questão central é disponibilizar as informações a todos os órgãos responsáveis pela execução de benefícios do acordo, como o juízo da 12ª Vara Federal de Curitiba e a força-tarefa da lava jato no MPF.

A intenção é verificar se o colaborador está em dia com todas as obrigações que decorrem do acordo e se não está usufruindo de bens adquiridos ilicitamente, inclusive via Setor de Operações Estruturadas, o conhecido departamento de propinas da empresa.

Depois de sair da carceragem da PF na capital paranaense, Marcelo Odebrecht ficará detido em uma mansão que tem mais de dois mil metros quadrados em um bairro nobre de São Paulo e será monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele poderá receber visitas de até 15 pessoas, que deverão ser nomeadas e a lista entregue à Justiça.

Odebrecht foi detido durante a 14ª fase da Lava Jato, em junho de 2015, na mesma residência onde irá cumprir os próximos dois anos e meio de prisão domiciliar.

O empresário foi condenado em um processo a 19 anos e 4 meses de prisão por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobras. Ele é considerado o mandante dos crimes cometidos pela empreiteira, que por meio do pagamento de propina a agentes públicos e políticos vencia licitações e fechava contratos milionários com a estatal.

 

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