Marqueteiro que delatou Bendine deixa a prisão

Roger Pereira


Após passar oito meses na cadeia, o publicitário André Gustavo Vieira, deixou, nesta quinta-feira, a carceragem da Polícia Federal de Curitiba. Ele foi beneficiado pela sentença proferida na quarta-feira pelo juiz federal Sérgio Moro, que condenou o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine a 11 anos de prisão. Mesmo também condenado, o marqueteiro poderá responder ao processo em liberdade por ter feito confissão de que intermediou um repasse de R$ 3 milhões da Odebrecht a Bendine. Ele recebeu o benefício do juiz Sergio Moro, que reduziu sua pena para seis anos e meio de prisão.

O advogado José Diniz, responsável pela defesa de André Gustavo, disse que o marqueteiro continuará a colaborar com a Justiça. Diniz confirmou ainda que mantém negociações com a Procuradoria Geral da República (PGR) na tentiva de fechar acordo de delação premiada.

Moro concedeu o alvará de soltura no início desta tarde. André Gustavo entregou o passaporte as autoridades e está proibido de deixar o país. Como marqueteiro também não poderá fechar contratos de sua empresa, a Arcos Propaganda, com o poder público e nem com empresas estatais. No portfólio da Arcos, há contratos de campanhas de marketing para estatais como Furnas, Eletrobras, Ministério da Cultura e BNDES.

Em sua delação premiada, Ricardo Saud, executivo do Grupo J&F, afirmou que André Gustavo fez pagamentos a políticos do PMDB em 2014, como os senadores Eunício Oliveira, Renan Calheiros e Jader Barbalho, como parte do acordo que reafirmou a aliança do partido com o PT e a participação na campanha de Dilma Rousseff. André também trabalhou em campanhas políticas no Brasil e em Portugal.

Caso seja condenado na segunda instância e a pena seja mantida, o marqueteiro cumpriria um sexto por ser réu primário e lhe restaria apenas mais cinco meses atrás das grades, considerando os oito meses que já passou na PF do Paraná.

Após negar as acusações inicialmente, André Gustavo mudou de posição e decidiu contar o que sabia. Candidato a delator, ele afirmou em depoimento a Moro, em novembro, que entregou R$ 950 mil em espécie nas mãos de Bendine, que nega as as acusações. O dinheiro seria referente a 1% de um refinanciamento de R$ 1, 7 bilhão do Banco do Brasil para a Odebrecht Agroindustrial.

Na audiência com o juiz da Lava-Jato, André Gustavo revelou ainda que dividiu o repasse de R$ 3 milhões da Odebrecht em três partes. Contou ainda que usou R$ 1 milhão para quitar uma dívida com Joesley Batista.

Previous ArticleNext Article
Repórter do Paraná Portal
[post_explorer post_id="508712" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]