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Marqueteiros dizem que até cabeleireiro de Dilma era pago como troca de favor

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo das d..

Fernando Garcel - 11 de maio de 2017, 16:05

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu retirar o sigilo das delações premiadas do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura. Entre centenas de páginas e arquivos, Mônica Moura e João Santana afirmam que a ex-presidente Dilma Rousseff pedia para que os custos com seu cabeleireiro e camareira fossem arcados pelo casa como troca de favores antes e depois que foi eleita presidente da República. O valor estimado com os serviços, somados, é de R$ 90 mil.

Ambos são acusados de terem recebido valores de caixa 2 por trabalhos feitos durante as campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores (PT). Condenados a 8 anos e 4 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro, Santana e Mônica prestaram os depoimentos do acordo de delação premiada em março e a colaboração foi homologada pelo ministro Edson Fachin no dia 4 de abril.

> Ministro do STF homologa delação de João Santana e Mônica Moura

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"Dilma Rousseff, durante o ano de 2010, tinha uma camareira/cabelereira particular que acompanhava todo o tempo e cuidava do seu cabelo e maquiagem no dia a dia. Anderson Dorneles, assessor de Dilma Rouseff, solicitou que Monica Moura pagasse o valor de R$4.000,OO (quatro mil reais) por mês, durante 1 (um) ano, para esta cabeleireira particular como forma de favor. Pagamentos foram feitos em espécie diretamente para a cabelereira, entregues pelo funcionário da Polis que irá aderir a colaboração", diz trecho da delação. Até esse momento, os marqueteiros afirmam ter pago R$ 40 mil.

Segundo a delação, depois da campanha, com Dilma já na presidência, a petista usava serviços do cabeleireiro Celso Kamura para eventos importantes e o Palácio do Planalto não poderia arcar com os valores cobrados pelo profissional e nem teria tempo para superar a burocracia. Então, a então presidente teria novamente solicitado que o casal arcasse com os custos como forma de trocar favores.

Em nota, Dilma nega pagamento irregular a João Santana

"Monica Moura então pagou o cabeleireiro diversas vezes, durante os anos de 2010 a 2014, de várias formas: na maioria das vezes em dinheiro entregue em espécie no escritório do cabeleireiro em SP, por um funcionário de Monica Moura (que irá aderir a colaboração), utilizando os valores recebidos por fora; em outras vezes reembolsava a assessora da Presidente, Marly, através de depósitos bancários. Cada diária de Kamura (deslocamento e os serviços de cabelo e maquiagem) no Palácio da Alvorada custava em torno de R$1.500 (um mil e quinhentos reais)", diz o documento. Nesse segundo momento, os marqueteiros estimam que tenham gasto R$ 50 mil.

Como prova, João Santana e Mônica Moura anexaram vários documentos com as passagens áreas, hospedagem e demais pagamentos feitos ao cabeleireiro.

Depoimentos

O casal já prestou depoimentos na Lava Jato na condição de colaboradores. Em abril, em processo que tem como principal réu o ex-ministro Antonio Palocci, Mônica Moura afirmou que recebeu caixa 2 em todas as campanhas que trabalhou. “Aliás, não existe marqueteiro no Brasil que não trabalhe com caixa 2”, ressaltou. Ela informou que recebia esses pagamentos de duas formas: em dinheiro vivo no Brasil, e utilizava os recursos para as despesas da campanha, como o pagamento a fornecedores, ou em uma conta na Suíça, que era o lucro da empresa. “Praticamente todas as campanhas que fizemos no Brasil, uma parte do pagamento era feito pela Odebrecht”, acrescentou.

> “Palocci que me encaminhava quem ia me pagar o caixa 2” diz Mônica Moura, em depoimento

Em 2010, ela afirma ter recebido R$ 10 milhões da Odebrecht referentes à campanha da ex-presidente Dilma Rousseff e, em 2011 e 2012, US$ 10 milhões para campanhas de Fernando Haddad, em São Paulo, Patrus Ananias, em Belo Horizonte e para a eleição de Hugo Chavez, na Venezuela. “Todos os candidatos sabiam como que essas despesas estavam sendo pagas”, afirmou.