MDB recebia maior parte da propina da Transpetro, afirma Sérgio Machado

Andreza Rossini


Da BandNews Curitiba

O ex-presidente da Transpetro – subsidiária da Petrobras, Sérgio Machado, afirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro que para permanecer no cargo era necessário distribuir propina para agentes políticos. Segundo ele, a prática era comum e determinava inclusive a contratação de empresas terceirizadas. Aquelas que deixassem de pagar vantagens indevidas também eram prejudicadas em licitações.

Machado é colaborador da Lava Jato e foi ouvido nesta segunda-feira (05) como testemunha de acusação em um processo que investiga irregularidades em contratos fechados pela Transpetro. De acordo com Machado, os ex-executivos eram avaliados segundo a capacidade de atender as reivindicações de políticos e não pela competência a frente do cargo.

“A regra do mercado era pagar propina nas obras. O objetivo das empresas visava a carteira de obras e elas sabiam que só permaneceriam na carteira de obras se atendessem os pedidos de propina de políticos. Se não atendesse a reivindicação do grupo político seria retirado e perderia a boa relação dentro da Transpetro, que iriam assegurá-la que na próxima licitação estaria presente. Eu não indicava nenhuma empresa para participar da licitação, mas eu podia retirar uma empresa que não pagasse propina”, afirmou.

Machado revelou ainda que parte das propinas eram direcionadas para senadores do MDB. Os demais executivos ficavam responsáveis por recolher vantagens indevidas para políticos de outros partidos.

“Quem me colocou no cargo foi o PMDB e eram eles quem ficavam com a maior parte. Em época eleitoral eu pagava para outros partidos, mas a grossa parte iria para o PMDB. A base no senado era Renan [Calheiros], Lobão, [José] Sarnei, [Romero] Jucá e Jader [Barbalho]”.

Segundo o ex-executivo, a propina cobrada era de até 4% em cima do valor do contrato. Os montantes eram destinados aos políticos como doação oficial ou ainda em espécie. Segundo a denúncia, entre 2009 e 2014, somente a empresa NM Engenharia, teria pago cerca de R$ 7 milhões em propinas para a Transpetro. As próximas audiências deste processo estão agendas para o próximo dia 14 quando serão ouvidas mais três testemunhas de defesa e de acusação.

Previous ArticleNext Article