“Me espantei com as declarações”, diz Cardozo sobre Segovia

Narley Resende


Ministro da Justiça por cinco anos, de 2010 a 2015, José Eduardo Cardozo disse nesta sexta-feira (24) durante evento em Curitiba que se espantou com as declarações do recém nomeado diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, em sua primeira entrevista coletiva à imprensa. Cardozo ressaltou que a PF conduziu as investigações mencionadas e que produziu relatórios sobre os casos.

“Não tenho nenhuma informação que desabone o diretor nomeado. Me espantei um pouco com as declarações que foram feitas, acho que todo mundo se espantou um pouco, uma vez que ao que sei no caso da investigação dos membros do governo e do próprio presidente Michel Temer a Polícia Federal interveio e tem relatórios da própria Polícia Federal. É óbvio, mas não vou fazer nenhum pré-julgamento. Vamos aguardar”, diz o ex-ministro.

Depois de se dizer lisonjeado com a presença de Michel Temer em sua cerimônia de posse, na última segunda-feira (20), o novo diretor-geral da PF disse que o presidente continuará a ser investigado com a “celeridade de todos os outros inquéritos”. Em um primeiro momento, o novo diretor-geral havia dito que as investigações contra o peemedebista já haviam sido concluídas.

Segovia criticou a Procuradoria-Geral da República que, na gestão Rodrigo Janot, denunciou pela primeira vez o presidente por corrupção passiva no caso da mala dos R$ 500 mil que a JBS pagou para o ex-assessor especial de Temer, Rodrigo Rocha Loures.

“Uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção”, declarou o novo diretor da PF.

Para Segovia, “a Procuradoria-Geral da República é a melhor indicada para explicar possíveis erros no acordo de colaboração premiada firmado com executivos do grupo J&F, entre eles, o empresário Joesley Batista”.

O procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima também ironizou, mas por meio de sua conta no Facebook, na terça-feira (21), as declarações de Fernando Segovia.

“Uma pergunta: Quantas malas de dinheiro são suficientes para o novo DiretorGeral
da Polícia Federal?”, questionou Lima.

Lava Jato 

A Operação Lava Jato viveu o auge das investigações no período em que Cardozo comandou o Ministério da Justiça, ao qual a Polícia Federal é subordinada. O ex-ministro afirma que sua gestão jamais interferiu nas investigações da PF.

“Talvez por isso tenha um senador da República falado que Dilma Roussef tinha que sair do governo porque se ela não saísse não evitaríamos a ‘sangria’ da classe política brasileira que estava sendo realizada a partir da investigação [da Operação Lava Jato]”, ironiza, ao mencionar trechos de gravação feita pela Polícia Federal que flagrou conversa entre o senador Romero Jucá e o ex-dirigente da Transpetro Sergio Machado.

“Foi feita uma verdadeira blindagem institucional pelos governos Lula e Dilma em relação à atuação da Polícia Federal. Nós nunca, e falo por mim que tive mais de cinco anos como ministro da Justiça, nós nunca pedimos que alguém fosse investigado ou que alguém não fosse investigado. Nós nunca fizemos nenhuma interferência”, garante.

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