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Ministério da Justiça encaminha pedido para que testemunha de Cláudia Cruz seja ouvida em Singapura

Com informações de Angelo SfairO departamento de Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça encaminhou a..

Fernando Garcel - 24 de abril de 2017, 15:04

Com informações de Angelo Sfair

O departamento de Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça encaminhou a 13ª Vara Federal de Curitiba um documento das autoridades de Singapura para que seja tomado naquele país o depoimento de uma testemunha da jornalista Cláudia Cruz. Ela responde por crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas no âmbito da Lava Jato.

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Tanto as defesas quanto a acusação devem assinar o documento, mostrando que estão cientes da forma como o depoimento será tomado. Somente depois disso será para que então seja intimada a testemunha Chiam Shu Xin Cindy. Ela era a secretária da empresa que controlava contas no exterior do marido de Cláudia Cruz, o deputado cassado Eduardo Cunha.

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A defesa da jornalista insiste na importância deste depoimento há meses. O juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo na primeira instância, não considera o depoimento fundamental e havia determinado que o processo seguisse o andamento normal.

Ela foi interrogada por Moro há duas semanas e está em aberto, neste momento, o prazo para a entrega das alegações finais e após a entrega dos documentos, por parte do Ministério Público Federal e da defesa da acusada, o magistrado deve decidir se os réus são culpados ou inocentes.

Moro decidiu não esperar o depoimento da testemunha de Singapura porque não há certeza de quando as autoridades seriam capazes de realizar a audiência. Segundo Moro, o processo não pode ser atrasado porque alguns dos réus aguardam a decisão presos.

Denúncia contra Cláudia Cruz

Conforme as investigações, Claudia teria sido beneficiada com parte da propina recebida pelo marido por viabilizar a compra, pela Petrobras, de um campo de petróleo em Benin, na África. Seria responsável ainda pela lavagem de ativos, adquirindo bens de luxo no exterior e mantendo valores não declarados superiores a 100 mil dólares.

Ainda de acordo com o MPF, a jornalista também recebeu no exterior dinheiro de outras contas controladas pelo ex-deputado. O valor do contrato investigado era de US$ 34,5 milhões. A denúncia está vinculada a outra ação penal, remetida pelo Supremo Tribunal Federal (MPF) ao Paraná depois que Cunha perdeu a prerrogativa de foro privilegiado.

O ex-deputado foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por por três crimes de lavagem de dinheiro e dois crimes de evasão fraudulenta de divisas. Na ação correlata, Claudia Cruz foi acusada de ser beneficiária das contas atribuídas a Cunha na Suíça.

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Em depoimento, em novembro, a jornalista confirmou que usava um cartão de crédito internacional entre 2008 e 2015, mas alegou que só soube que era vinculado a uma conta no exterior, não declarada à justiça, quando as investigações da operação Lava Jato vieram a tona.

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Os procuradores apontam que Cláudia tinha consciência dos crimes que praticava e controlava uma conta para pagar despesas variadas no exterior, incluindo gastos em restaurantes badalados e com objetos de grife.