Ministério da Justiça encaminha pedido para que testemunha de Cláudia Cruz seja ouvida em Singapura

Fernando Garcel


Com informações de Angelo Sfair

O departamento de Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça encaminhou a 13ª Vara Federal de Curitiba um documento das autoridades de Singapura para que seja tomado naquele país o depoimento de uma testemunha da jornalista Cláudia Cruz. Ela responde por crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas no âmbito da Lava Jato.

Tanto as defesas quanto a acusação devem assinar o documento, mostrando que estão cientes da forma como o depoimento será tomado. Somente depois disso será para que então seja intimada a testemunha Chiam Shu Xin Cindy. Ela era a secretária da empresa que controlava contas no exterior do marido de Cláudia Cruz, o deputado cassado Eduardo Cunha.

Eduardo Cunha é condenado na Lava Jato
> Defesa de Cunha vai recorrer ao TRF4

A defesa da jornalista insiste na importância deste depoimento há meses. O juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo na primeira instância, não considera o depoimento fundamental e havia determinado que o processo seguisse o andamento normal.

Ela foi interrogada por Moro há duas semanas e está em aberto, neste momento, o prazo para a entrega das alegações finais e após a entrega dos documentos, por parte do Ministério Público Federal e da defesa da acusada, o magistrado deve decidir se os réus são culpados ou inocentes.

Moro decidiu não esperar o depoimento da testemunha de Singapura porque não há certeza de quando as autoridades seriam capazes de realizar a audiência. Segundo Moro, o processo não pode ser atrasado porque alguns dos réus aguardam a decisão presos.

Denúncia contra Cláudia Cruz

Conforme as investigações, Claudia teria sido beneficiada com parte da propina recebida pelo marido por viabilizar a compra, pela Petrobras, de um campo de petróleo em Benin, na África. Seria responsável ainda pela lavagem de ativos, adquirindo bens de luxo no exterior e mantendo valores não declarados superiores a 100 mil dólares.

Ainda de acordo com o MPF, a jornalista também recebeu no exterior dinheiro de outras contas controladas pelo ex-deputado. O valor do contrato investigado era de US$ 34,5 milhões. A denúncia está vinculada a outra ação penal, remetida pelo Supremo Tribunal Federal (MPF) ao Paraná depois que Cunha perdeu a prerrogativa de foro privilegiado.

O ex-deputado foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão por por três crimes de lavagem de dinheiro e dois crimes de evasão fraudulenta de divisas. Na ação correlata, Claudia Cruz foi acusada de ser beneficiária das contas atribuídas a Cunha na Suíça.

> Mãe de Cláudia Cruz pede à Justiça Federal desbloqueio de R$ 355 mil

Em depoimento, em novembro, a jornalista confirmou que usava um cartão de crédito internacional entre 2008 e 2015, mas alegou que só soube que era vinculado a uma conta no exterior, não declarada à justiça, quando as investigações da operação Lava Jato vieram a tona.

> Cláudia Cruz confirma uso de cartão internacional, mas alega que não sabia da conta na Suíça

Os procuradores apontam que Cláudia tinha consciência dos crimes que praticava e controlava uma conta para pagar despesas variadas no exterior, incluindo gastos em restaurantes badalados e com objetos de grife.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="426825" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]