Ministro do STF intima diretor da PF a explicar declarações sobre processo de Temer

Andreza Rossini

O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Roberto Barroso, intimou o delegado-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia,  prestar esclarecimentos sobre informações dadas em entrevistas a respeito da investigação sobre o presidente Michel Temer.

“Tendo em vista que tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal”, afirma o ministro.

Na entrevista, o delegado disse que os “indícios são muito frágeis” e sugere que o inquérito “pode até concluir que não houve crime”.

O diretor da PF afirmou que a PF iria pedir o arquivamento da denúncia contra o ex-presidente. Segóvia argumentou que foi mal interpretado pela imprensa e negou o arquivamento do processo. Ele deve responder diretamente ao ministro, na próxima quarta-feira (14).


Por meio de nota, a Federação Nacional dos Policias Federais pediu esclarecimentos ao diretor.

Temer é investigado por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro por ter, supostamente, recebido vantagens indevidas de uma empresa para editar o chamado Decreto dos Portos.

Veja a nota do delegado-geral na íntegra

Caros Servidores,

Afirmo que em momento algum disse à imprensa que o inquérito será arquivado. Afirmei inclusive que o inquérito é conduzido pela equipe de policiais do GInqE com toda autonomia e isenção, sem interferência da Direção Geral.

Acompanho e acompanharei com o cuidado e a atenção exigida todos aqueles casos que possam ter grande repercussão social, é meu dever, é o que caracteriza o cargo de direção máxima desta instituição, é o que farei.

Foi com este espírito que, em articulação com 13a Vara da Justiça Federal em Curitiba, reforçamos a equipe à disposição da Lava-Jato, dobramos o número de policiais à disposição do Grupo de Inquérito Especiais, dotamos a unidade de meios, reservando quase integralmente uma ala do Edifício Sede. Assim também agimos, providenciando meios, em muitas investigações que ainda correm em fase velada. Também assim procedemos quando com altivez lutamos e conseguimos a definitiva implementação do adicional de fronteira, demanda histórica de nossos colegas lotados em alguns casos nas inóspitas e carentes regiões fronteiriças.

Reafirmo minha confiança nas equipes que cumprem com independência as mais diversas missões. É meu compromisso na gestão da PF resguardar os princípios republicanos. Asseguro a todos os colegas e à sociedade que estou vigilante com a qualidade das investigações que a Polícia Federal realiza, sempre em respeito ao legado de atuações imparciais que caracterizam a PF ao longo de sua história.

Veja a nota da Federação na íntegra 

A Federação Nacional dos Policiais Federais vem a público expressar sua discordância e preocupação com as declarações atribuídas ao Diretor Geral da Polícia Federal em entrevista concedida à Agência Reuters de Notícia, sobre as investigações envolvendo o atual Presidente da República.

Ao adentrar às questões internas de uma investigação criminal, conduzida por uma equipe multidisciplinar de investigação, composta por agentes federais, delegados, escrivães, papiloscopistas e peritos, o dirigente tanto extrapolou em suas funções, que são precipuamente administrativas, quanto avançou no sentido de garantir o entendimento futuro do Ministério Público Federal, a quem cabe legalmente o pedido de arquivamento de investigações criminais, e do Poder Judiciário, a quem cabe a decisão final pelo arquivamento ou não.

Os policiais federais esperam uma retratação pública desse posicionamento, além de uma mensagem dirigida ao público interno, com um firme posicionamento atrelado a um rol de condutas isentas do dirigente maior da PF, que garantam o bom funcionamento dos nossos trabalhos, sem qualquer risco de que estaríamos vivenciando uma era de ingerências políticas em nossas investigações.

O fato de desfrutar de alta credibilidade junto à sociedade brasileira obriga todos os policiais federais brasileiros a se manterem firmes na missão de ajudar a construir um País melhor, mais justo e livre da corrupção, sem partidarismos ou enlaces políticos que venham manchar a nossa conduta e a nossa reputação.

Luis Antônio Boudens
Presidente

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