Moro abre ação penal contra mulher de Eduardo Cunha

Narley Resende


O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta quinta-feira (9) denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) e abriu ação penal contra Claudia Cruz e Danielle, mulher e filha do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB­-RJ). Ela é investigada pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A filha de Cunha, Danielle Dytz não aparece na denúncia.

Além de Cláudia, também se tornaram réus na ação penal o empresário português Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira; o operador financeiro João Augusto Rezende Henriques; e o ex-diretor área Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada. A filha de Cunha, Danielle Dytz da Cunha, também era investigada, mas não foi denunciada pelo Ministério Público Federal. A denúncia envolve um contrato em que a Petrobrás comprou direitos de participação na exploração de um campo de petróleo na República do Benin, país africano.

Investigação

O negócio, segundo os procuradores, envolveu o pagamento de propinas ao deputado federal afastado Eduardo Cunha de cerca de 1.311.700,00 francos suíços, correspondentes a cerca de 1,5 milhão de dólares. A propina teria sido paga por Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, proprietário da empresa vendedora, e acertada com o diretor da Petrobrás Jorge Luiz Zelada.

A negociação teria sido intermediada pelo operador João Augusto Rezende Henriques e paga por transferências a contas secretas no exterior. Parte da propina teria sido destinada a contas em nome de off-shores ou trusts que alimentavam cartões de crédito internacional utilizados pela esposa de Cunha, Cláudia Cruz. O Ministério Público Federal aponta indícios de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz Sérgio Moro diz que a ocultação de valores em conta secreta no exterior, não declarada por Cláudia Cruz, é uma das justificativas para o recebimento da denúncia.

Segundo o juiz, há uma aparente inconsistência dos gastos efetuados a partir da conta com os rendimentos lícitos do casal Cunha. Moro questiona desinteresse afirmado por Cláudia em questionar a origem dos recursos. A investigação que deu origem à denúncia foi desmembrada da apuração contra Eduardo Cunha que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em março deste ano, o ministro relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, encaminhou para a 13.ª Vara Federal de Curitiba, comandada por Moro, a parte da apuração que tratava de investigados sem prerrogativa de foro. Além de aceitar a denúncia, o juiz Sérgio Moro decretou nova prisão preventiva do operador financeiro João Augusto Rezende Henriques, que já está detido no Complexo Médico Penal em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Veja a denúncia Denúncia e o Despacho na íntegra.

Previous ArticleNext Article