As investigações, segundo o Ministério Público Federal (MPF), tiveram início com base na colaboração premiada dos executivos da empresa de engenharia. Foram realizadas diversas diligências com base nas informações, como afastamento de sigilos bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos. As medidas revelaram a existência de vínculos entre os investigados e corroboraram os atos narrados pelos colaboradores.

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As provas indicam que o ex-gerente recebeu suborno para favorecer a empresa de engenharia em contratos com a Transpetro. Para dissimular e ocultar a origem ilícita dos recursos, o valor foi pago por meio de depósitos realizados em contas bancárias de terceiros e familiares, vindo de contas de titularidade da empresa de engenharia ou de seus sócios.

O ex-gerente teria pedido, inicialmente, o pagamento de 1% do valor dos contratos da empresa com a Transpetro como propina, entretanto, o acerto final ficou em 0,5%. Este valor foi pago mensalmente em benefício do Partido dos Trabalhadores (PT), de modo independente dos pagamentos feitos pela mesma empresa a pedido da presidência da Transpetro, e que eram redirecionados ao PMDB. O ex-gerente se desligou da subsidiária da Petrobras recentemente.

“Esse ex-gerente era vinculado ao movimento sindical e ao PT de maneira informal. Ele mencionou que os valores seriam revertidos ao partido quando solicitou o pagamento de propina”, afirmou Jerusa.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa destaca que “houve um esquema político-partidário contínuo e duradouro na Transpetro, como na Petrobras. Os crimes praticados na Transpetro são uma nova frente de investigações da Lava Jato, em expansão. Como ocorreu no caso da Petrobras, este é o momento mais favorável para quem quiser colaborar com a Justiça se apresentar”.

Segundo o MPF, as investigações na Transpetro devem ser aprofundadas.