câmara de apucarana
Compartilhar

Moro decreta prisão preventiva de ex-gerente da Transpetro

O juiz federal Sérgio Moro converteu nesta sexta-feira (24) o mandado de prisão temporária contra o ex-gerente da Transp..

Fernando Garcel - 24 de novembro de 2017, 16:11

O juiz federal Sérgio Moro converteu nesta sexta-feira (24) o mandado de prisão temporária contra o ex-gerente da Transpetro José Antonio de Jesus em prisão preventiva, quando não há prazo para liberação do investigado. Jesus foi preso nesta terça-feira (21), na 47ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Sothis.

ANÚNCIO

Ex-gerente da Transpetro é preso na Lava Jato por desvio de dinheiro

De acordo com as investigações, o ex-gerente e seus familiares são suspeitos de receber R$ 7 milhões em propina paga pela NM Engenharia. Os valores foram recebidos entre setembro de 2009 e março de 2014.

No despacho, o magistrado aponta que há indícios que Jesus tenha recebido vantagem indevida de outras empresas e que tenha lavado dinheiro por meio de aquisições imobiliárias. Para justificar a conversão da prisão, Moro também diz que o ex-gerente não prestou qualquer esclarecimento sobre sua relação com outras empresas investigadas e sua relação com a NM Engenharia e que há risco de dissipação dos valores e de uma eventual fuga do suspeito.

ANÚNCIO

"Presente, portanto, risco à ordem pública, pela prática reiterada e profissional de crimes contra a Administração Pública e lavagem de dinheiro. Mais do que isso, há risco à aplicação da lei penal, pois o produto do crime está sujeito à dissipação, com frustração dos direitos de confisco da vítima ou da sociedade decorrentes da prática de um crime. Não se pode também ignorar a presença de um risco concreto de fuga, já que há indícios de dissipação dos ativos criminosos. A dissipação indica falta de intenção de se submeter à aplicação da lei penal e os ativos ocultos constituem um facilitador de eventual fuga, com o risco de que o foragido, não só previna a imposição da pena de prisão, mas possa fruir, foragido, do produto de sua atividade criminosa", diz o despacho.

Operação Sothis

As investigações, segundo o Ministério Público Federal (MPF), tiveram início com base na colaboração premiada dos executivos da empresa de engenharia. Foram realizadas diversas diligências com base nas informações, como afastamento de sigilos bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos. As medidas revelaram a existência de vínculos entre os investigados e corroboraram os atos narrados pelos colaboradores.

> PF deflagra a 47ª fase da Lava Jato em quatro estados

As provas indicam que o ex-gerente recebeu suborno para favorecer a empresa de engenharia em contratos com a Transpetro. Para dissimular e ocultar a origem ilícita dos recursos, o valor foi pago por meio de depósitos realizados em contas bancárias de terceiros e familiares, vindo de contas de titularidade da empresa de engenharia ou de seus sócios.

O ex-gerente teria pedido, inicialmente, o pagamento de 1% do valor dos contratos da empresa com a Transpetro como propina, entretanto, o acerto final ficou em 0,5%. Este valor foi pago mensalmente em benefício do Partido dos Trabalhadores (PT), de modo independente dos pagamentos feitos pela mesma empresa a pedido da presidência da Transpetro, e que eram redirecionados ao PMDB. O ex-gerente se desligou da subsidiária da Petrobras recentemente.

“Esse ex-gerente era vinculado ao movimento sindical e ao PT de maneira informal. Ele mencionou que os valores seriam revertidos ao partido quando solicitou o pagamento de propina”, afirmou Jerusa.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa destaca que “houve um esquema político-partidário contínuo e duradouro na Transpetro, como na Petrobras. Os crimes praticados na Transpetro são uma nova frente de investigações da Lava Jato, em expansão. Como ocorreu no caso da Petrobras, este é o momento mais favorável para quem quiser colaborar com a Justiça se apresentar”.

Segundo o MPF, as investigações na Transpetro devem ser aprofundadas.