Moro derruba sigilo de interrogatórios em processo que envolve Palocci

Andreza Rossini


O juiz federal Sérgio Moro quebrou o sigilo dos interrogatórios de um processo da Operação Lava Jato que envolve o ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci e outros 14 réus.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro Palocci estabeleceu uma ligação com altos executivos da Odebrecht com o objetivo de atender aos interesses do grupo diante do governo federal. Isso aconteceu entre 2006 e 2015. Nesse esquema, a interferência de Palocci teria se dado mediante o pagamento de R$ 128 milhões em propinas. Os recursos eram destinados principalmente ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Ainda de acordo com o MPF, o ex-ministro também teria participado de uma conversa sobre a compra de um terreno pra a sede do Instituto Lula, feita pela Odebrecht.

A ação penal decorrente da Operação Omertà tem 15 réus, entre eles Palocci e o herdeiro do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht.

Palocci está preso desde setembro de 2016, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba e responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Sigilo

Quando Moro ouviu o executivo da Odebrecht, Fernando Migliaccio da Silva, nesta ação penal, o juiz decidiu manter o depoimento em sigilo devido as delações firmadas com executivos da empresa, que permanecem em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na última segunda-feira (10) o delator Marcelo Odebrecht prestou depoimento neste processo.

Próximos depoimentos

No dia 10 de abril, é a vez do herdeiro da empreiteira Odebrecht, Marcelo Odebrecht, ser interrogado pelo juiz Sérgio Moro. No dia 18 são ouvidos o casal de publicitário João Santana e Mônica Moura. O ex-ministro Antônio Palocci e o ex-assessor dele Branislav Kontic são os últimos réus interrogados. As audiências deles estão marcadas para o dia 19 de abril.

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