Moro determina novos interrogatórios de delatores da Odebrecht em processo contra Palocci

Fernando Garcel


Com informações de Tabata Viapiana

O juiz federal Sérgio Moro determinou que sete delatores da empreiteira Odebrecht prestem novos depoimentos no processo que tem como principal réu o ex-ministro Antonio Palocci. As audiências foram marcadas para a próxima sexta-feira (5). O juiz pediu que a defesa de Palocci informe se há necessidade de interrogar os sete delatores ou se alguns podem ser dispensados.

O magistrado também pediu para o Ministério Público Federal (MPF) anexar ao processo, em até cinco dias, a parte das delações dos executivos que tem relação com a denúncia em questão. Mais uma vez, o juiz atendeu a um pedido da defesa de Palocci. Agora que as delações não estão mais sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), o conteúdo pode ser compartilhado na ação que tramita em Curitiba.

O processo apura se o ex-ministro atuou para beneficiar a Odebrecht na assinatura de um grande contrato com a Petrobras. Em contrapartida, a empresa teria repassado R$ 128 milhões em propina ao PT. Nas planilhas de repasses ilícitos da construtora, segundo os colaboradores, Palocci tinha o codinome de “Italiano”. Havia até uma planilha chamada “programa especial Italiano’, que seriam valores destinados apenas ao ex-ministro, como relatou Marcelo Odebrecht em depoimento a Moro no dia 12 de abril.

Veja íntegra do depoimento de Marcelo Odebrecht como delator
Trechos de depoimento de Odebrecht vazam em tempo real no Twitter

Em depoimento a Moro na semana passada, Palocci negou ter recebido valores ilícitos da Odebrecht e disse que tinha apenas relações profissionais com a empreiteira. Palocci também negou ter pedido que a empresa pagasse propina ou caixa 2 para o PT.

Todos os governos só trabalharam em função da Odebrecht, afirma Palocci
> Trechos de depoimento de Odebrecht vazam em tempo real no Twitter

No mesmo despacho publicado na noite de segunda-feira (24), Moro revelou que ainda não recebeu do STF os inquéritos baseados nas delações da Odebrecht que devem ser conduzidos em primeira instância por não terem investigados com prerrogativa de foro. Ao todo, 38 petições devem ser enviadas à Justiça Federal do Paraná, segundo decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo. Moro citou quatro petições, com supostas irregularidades praticadas por Palocci, e que ainda não chegaram às mãos do juiz.

Operação Omertà

Palocci foi ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff e ministro da Fazenda de Lula e esta preso na capital paranaense desde setembro de 2016. Ele responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro estabeleceu uma ligação com altos executivos da Odebrecht com o objetivo de atender aos interesses do grupo diante do governo federal, entre 2006 e 2013. A interferência de Palocci teria se dado mediante o pagamento de R$ 128 milhões em propinas. Os recursos eram destinados, principalmente, ao Partido dos Trabalhadores (PT).

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