Moro determina que Bumlai volte para presídio em Curitiba

Andreza Rossini


O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações em primeira instância da Operação Lava Jato, determinou que o pecuarista José Carlos Bumlai, volte para o Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Ele estava em prisão domiciliar devido a um tratamento contra câncer na bexiga, desde março deste ano.

O juiz determinou que o quadro de saúde do pecuarista é estável e que ele representa risco às investigações. Ele deve se apresentar à Polícia Federal, em Curitiba, na terça-feira (23). Na decisão em que Moro permitiu a prisão domiciliar de Bumlai, ele especificou que o benefício seria válido por três meses e, depois disso, reavaliado. O benefício chegou a ser prorrogado uma vez, devido a uma cirurgia.

“No momento, após cinco meses de prisão domiciliar, a situação de saúde do acusado mostra-se estabilizada”, diz Moro, no despacho registrado na noite de ontem (10) no sistema da Justiça Federal do Paraná. O juiz diz ainda que a necessidade de realizar exames periódicos para o controle do tumor e da reabilitação cardíaca não justificam a prisão domiciliar.

“Esses exames e a reabilitação cardíaca, além do próprio recebimento de medicamentos para controle desses males, podem ser feitos, sem qualquer dificuldade, em Curitiba, no próprio Complexo Médico Penal, no qual o acusado estava previamente recolhido, ou eventualmente, se necessário, por saídas periódicas para hospitais privados em Curitiba”, diz a decisão.

Para o juiz, o pecuarista não se enquadra nas hipóteses previstas em lei para que a prisão siga sendo cumprida em regime domiciliar e determinou que o Bumlai retorne à prisão. “Deverá se apresentar à Polícia Federal em Curitiba no dia 23/08/2016”, determinou Moro.

A defesa afirmou que vai recorrer da decisão.

• MPF confirma que Lula e Bumlai tentaram atrapalhar a Lava Jato

O pecuarista foi preso na 21ª fase da Lava Jato, é réu da operação acusado por crimes como corrupção passiva, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.

Bumlai foi preso preventivamente acusado de envolvimento em fraudes no contrato para a operação do navio-sonda Vitória 10.000. De acordo com os investigadores, o pecuarista contraiu um empréstimo de R$ 12 milhões junto ao banco Schahin, em 2004, e o beneficiário final do dinheiro seria o PT. Em 2009 a dívida foi perdoada e a Engenharia Schahin foi beneficiada com um contrato de 1 bilhão e 600 milhões de dólares com a Petrobras.

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