Moro manda soltar ex-deputado Cândido Vaccarezza

Roger Pereira


Por Narley Resende

O juiz federal Sérgio Moro decidiu nesta terça-feira soltar o ex-deputado federal Cândido Vaccarezza (PTdoB), preso temporariamente na última sexta-feira (18), na 44ª fase da Operação Lava Jato, batizada como “Abate”. Pesou em favor da liberação de Vacarezza, de acordo com o despacho do juiz, o fato de ele ter agendado um exame médico relacionado ao tratamento possível de um câncer de próstata. Moro determinou na decisão que o político deverá pagar fiança de R$ 1,5 milhão.  Na mesma decisão, o juiz Moro também decidiu soltar, após o pagamento de fiança, o ex-gerente da Petrobras Márcio Albuquerque Aché Cordeiro, que também foi detido na sexta-feira. Para que possa deixar a cadeia, ele deverá pagar R$ 370 mil.

No mesmo despacho, Moro manteve o mandado de prisão temporária contra o executivo Luiz Eduardo Loureiro Andrade, que não foi detido porque está nos Estados Unidos, onde mora, segundo a defesa. Nesta terça-feira, o advogado que o representa disse que o cliente deverá voltar ao Brasil e se apresentar à Polícia Federal em Curitiba na quinta-feira. Sérgio Moro afirmou vai aguardar para que ele seja detido, para só então definir o futuro do executivo. Os dois investigados que serão soltos se pagarem a fiança, Vaccarezza e Márcio Cordeiro, devem cumprir uma série de exigências. Os passaportes serão retidos e eles ficam impedidos de deixar o país sem autorização judicial. Além disso, não podem ter contato com outros investigados na Operação Abate, nem mudar de endereço sem avisar a Justiça.

Sobre Vaccarezza, ex-líder dos governos Lula e Dilma, que deixou o PT para se filiar ao PT do B, o juiz Sérgio Moro disse que ele utilizou o poder e influência do cargo para que a Petrobrás contratasse a empresa Sargeant Marine para fornecimento de asfalto. Como contrapartida, teria recebido cerca de US$ 478 mil, entre 2010 a 2012, de vantagem indevida. Há ainda fundada suspeita, segundo Moro, de que Cândido Vaccarezza estaria envolvido em outros crimes contra a Administração Pública, aparentemente tendo posto o mandato eletivo à venda para intermediar contratos com a Petrobrás ou com outras entidades da Administração Pública direta ou indireta. O juiz afirma que, salvo o episódio envolvendo a Sargeant Marine, as investigações relacionadas aos outros fatos ainda nem se iniciaram e as provas pertinentes ainda são limitadas. Apesar disso, o fato de ser encontrado, na busca e apreensão, a quantia de R$ 120 mil em espécie na residência do ex-deputado não lhe favorece. Moro lembra que o investigado apresentou uma explicação para o fato, mas ela precisar ser melhor analisada na investigação.

A defesa de Vaccarezza, através do advogado Marcellus Ferreira Pinto, afirma que a decisão de soltura não surpreende. “Estamos convictos da inocência de Vaccarezza, que teve seu nome indevidamente incluído nos fatos investigados no processo”, disse.

 

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal