Moro nega transferência de Bumlai de presídio para hospital

Redação


Por Narley Resende e Andreza Rossini

O juiz federal Sérgio Moro, responsável em primeira instância pela Operação Lava Jato,  pediu em despacho que médicos do Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), avaliem o estado de saúde do pecuarista José Carlos Bumlai e digam se há necessidade de transferência do empresário para um hospital.

Moro negou mais um pedido da defesa para que o pecuarista fosse transferido da penitenciária médica, onde está preso há 40 dias, para um hospital. Os advogados argumentaram que Bumlai tem problemas de pressão alta e chegou a desmaiar na cela.

Até agora, os médicos da penitenciária avaliam Bumlai como portador de uma “situação clínica estável”, apesar de “quadro crônico de alteração de pressão”. A resposta negativa de Sérgio Moro aos advogados de Bumlai ocorreu na última sexta-feira (14). A advogada do empresário Daniella Maggiolaro confirmou que fez o pedido que foi negado, mas não quis gravar entrevista.

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Bumlai ficou cerca de seis meses em prisão domiciliar devido aos problemas de saúde. Ele voltou ao presídio no dia 6 de setembro.

A previsão inicial era de que ele retornasse ao regime fechado no dia 23 de agosto, mas essa data foi adiada por duas vezes porque – de acordo com a defesa de Bumlai – ele estava internado, sem previsão de alta, no Hospital Sírio Libanês, de São Paulo. O pecuarista foi colocado em prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, para o tratamento de saúde e precisou passar também por uma cirurgia cardíaca.

No despacho em que fixou para 6 de setembro a volta de Bumlai à prisão, o juiz Sergio Moro afirmou que, se houvesse razões médicas comprovadas, o pecuarista deveria ser internado em um hospital de Curitiba.

A defesa do pecuarista ainda tentou um último recurso, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Os advogados fizeram um apelo aos desembargadores e alegaram que o homem de 71 anos está doente – além do câncer ele também trata problemas cardíacos.

Condenação

Em setembro Moro condenou Bumlai a nove anos e dez meses de prisão por gestão fraudulenta de instituição financeira e corrupção. Os crimes foram confirmados pelas investigações da Operação Lava Jato.

Os réus do processo foram responsabilizados pelo empréstimo de R$ 12 milhões feito por Bumlai junto ao Banco Schahin, em outubro de 2004. De acordo com o próprio pecuarista, o dinheiro foi destinado ao Partido dos Trabalhadores para pagar dívidas de campanha. Em troca do empréstimo, o Grupo Schahin teria sido favorecido por um contrato de R$ 1,8 bilhão com a Petrobrás, em 2009. Além das condenações, Moro pede a reparação de R$ 54,9 milhões. “O empréstimo, com vencimento previsto para 03/11/2005, não foi pago e nem possuía garantia. Foi ele sucessivamente aditado, apenas para incorporação dos encargos não­ pagos”, diz a sentença.

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