Moro pede que TRF negue Habeas Corpus a Argello e diz que ele pode ser responsável por outros crimes

Roger Pereira


O juiz federal Sérgio Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba, enviou, nesta segunda-feira, ofício ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, manifestando-se contra o pedido de habeas corpus movido pelo ex-senador Gim Argello, preso na 28ª fase da Operação Lava Jato, com o argumento de que, mesmo não exercendo mandato no momento, o ex-senador teria poderes políticos para interferir na vida pública e atrapalhar as investigações.

“Não é aceitável que agentes políticos em relação aos quais existam graves indícios de envolvimento em crimes contra a Administração Pública e lavagem de dinheiro permaneçam na vida pública sem consequências. Por outro lado, evidentemente, a mero fato do paciente não ter sido eleito Senador da República em 2014 não lhe privou do poder político e econômico que lhe confere condições de interferir na vida pública”, escreveu o magistrado.

Moro ainda anexou à sua manifestação, os comprovantes dos bloqueios financeiros feitos em contas de Gim Argello e de suas empresas para justificar que a Justiça só conseguiu garantir, até agora, a recuperação de cerca de 1% dos R$ 5 milhões que teriam sido “o produto do crime”. A justiça conseguiu bloquear R$ 46.578 de uma conta de Argello e R$ 6.021, em uma conta de seu assessor Paulo Roxo, encontrando zeradas as demais contas bancárias às quais determinou bloqueio. “O bloqueio de ativos decretado por este Juízo a pedido do MPF para recuperá-lo teve resultados pífios, sugerindo o esvaziamento das contas do paciente e de suas empresas antes da efetivação da medida”, diz Moro, argumetnando que, em liberdade, Argello terá mais facilidade para ocultar outros patrimônios sobre os quais a Justiça vier a investir.

Moro ainda cita o depoimento do empresário José Antunes Sobrinho, dirigente da Engevix Engenharia, que declarou, que também foi extorquido por Argello para que pagasse R$ 5 milhões e fosse blindado de ser convocado para depor na CPI da Petrobras de 2014. No depoimento, Antunes Sobrinho diz que, além da UTC, cujo proprietário, Ricardo Pessoa, admitiu ter pago os R$ 5 milhões a Argello, Engevix, Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa e Toyo Setal também foram procuradas pelo então senador com o proposta de pagamento de R$ 5 milhões para não serem “incomodadas” pela CPI. Ele disse, no entanto, que a Engevix decidiu não pagar a propina e não soube informar se outra empreiteira chegou a aceitar a proposta de Argello. “O depoimento, em princípio, reforça os pressupostos da preventiva e indica outros crimes praticados pelo ora paciente”, escreve Moro.

Previous ArticleNext Article
Repórter do Paraná Portal
[post_explorer post_id="355452" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]