Moro recebe relatório de propina da Odebrecht no Santos Dumont

Roger Pereira


O Ministério Público Federal anexou, nesta terça-feira, à ação penal que trata das denúncias de existência de um “departamento de propinas” na Odebrecht, tendo o ex-presidente da companhia Marcelo Odebrecht como um dos réus, relatório da Polícia Federal com análise de e-mails, planilhas e documentos apreendidos na residência do diretor superintendente da Supervias, no âmbito da Odebrecht Transport, Carlos José Cunha, que indicariam o pagamento de propina referentes a licitações de obras no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro e no Aeroporto de Goiânia, nos quais a Odebrecht fez parte do consórcio responsável pela obra.

Segundo a PF, foram pagos, pela Odebrecht, ao menos R$ 7,6 milhões a seis pessoas diferentes, identificadas por codinomes como Barba Branca, Barba Preta, Barba Verde, Velho, Americano e Lili. Sendo 26 referentes à aeroporto Santos Dumont e três ao Aeroporto de Gioânia. A pf não conseguiu identificar todos os citados, apontando apenas que, com base no cruzamento de provas, “Americano” seria o ex-presidente da Infraero Carlos Wilson Rocha de Queiroz Campos, que teria recebido R$ 1,8 milhão, e “Velho” seria seu sucessor, José Carlos Perera, que recebera R$ 1,5 milhão.

Ainda de acordo com o relatório, os e-mails solicitando os pagamentos foram enviados por Cunha foram enviados a diversos gestores da Odebrecht, como Benedicto Brabosa da Silva Júnior, presidente da Odebrecht Infraestrutura, Bruno Lins Dourado Rodrigues, diretor de Contrato da Odebrecht; Carlos Fernando Anastácio, responsável por Desenvolvimento de Negócios na Odebrecht; e João Antônio Pacifico Ferreira, diretor superintendente para as áreas Norte, Nordeste Centro Oeste da Odebrecht.

Nos emails apreendidos pela PF, constam motivos dos pagamentos feitos, ao lado dos nomes dos destinatários. São citadas expressões como “aeroporto Santos Dumont, índices financeiros, pátio, terminal, Mario, CR, Carnaval Ciro”. Os pagamentos, cita o relatório iniciaram um mês antes da liberação do Edital de Licitação por Concorrência das obras do Santos Dumont (maio de 2003). “Esses dados fazem associar que ou os dados requisitados no Edital podem ter sido colocados “sob medida” ou que os índices que aparecem no Mapa de Julgamento de Pré-Qualificação do consórcio, podem ter sido forjados”, conclui a PF.

Confira a íntegra do relatório

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Repórter do Paraná Portal
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