Força-tarefa denuncia Gim Argello e Ronan Maria Pinto na Lava Jato

Redação


A Força-Tarefa da Lava Jato apresentou novas denúncias contra investigados na operação em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (6). Entre os denunciados está o ex-senador Gim Argello, preso na deflagração da 28ª fase da Operação Lava Jato, e o empresário Ronan Maria Pinto, preso na 27ª fase, por supostos crimes investigados pela operação da Polícia Federal.

Na primeira denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) relaciona o Argello por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e obstrução à investigação. Além do ex-senador, outras dez pessoas, incluindo o filho Jorge Afonso Argello Junior, também foram denunciados. Os outros nomes estão diretamente ligados a empreiteiras como a Odebrecht e OAS.

O nome do ex-senador apareceu nas delações do dono da UTC, Ricardo Pessoa, e do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), que cumpre prisão domiciliar. Argello teria pedido mais de R$ 5 milhões à UTC Engenharia e OAS para barrar a convocação dos executivos das empreiteiras na CPI que investigou o esquema de corrupção na Petrobras.

Denunciados
Jorge Afonso Argello (Gim Argello)
Jorge Afonso Argello Junior
Paulo César Roxo Ramos
Valério Neves Campos
José Aldemário Pinheiro Filho
Roberto Zardi Ferreira
Dilson de Cerqueira Paiva Filho
Ricardo Ribeiro Pessoa
Walmir Pinheiro Santana
Marcelo Bahia Odebrecht
Claudio Melo Filho

Principal alvo da segunda denúncia, o empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal “Diário do Grande ABC”, preso na 27ª fase da Operação Lava Jato, foi denunciado por lavagem de dinheiro. Ele teria recebido cerca de R$ 6 milhões do pecuarista José Carlos Bumlai. O valor representa a metade de um empréstimo feito pelo pecuarista no banco Schahin, que foi fraudado.

O caminho do dinheiro está comprovado pelo MPF, mas a única versão que cita a suposta chantagem é de Marcos Valério, principal operador do mensalão. Valério disse ter recebido de Silvio Pereira, ex-secretário do PT, um pedido para mediar o empréstimo da Schahin.

Valério disse que negou ajuda, mas soube que Pinto extorquia o primeiro escalão do partido, inclusive o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente Lula. Segundo ele, Pinto disse que precisava do dinheiro para comprar parte do Diário do Grande ABC, em Santo André, que o estava vinculando à morte do ex-prefeito Celso Daniel (PT) em 2002.

No despacho que autorizou a prisão do empresário, o juiz Sérgio Moro afirmou que é possível que o caso “tenha alguma relação” com o assassinato de Celso Daniel. Tanto Ronan Pinto quanto Silvio Pereira, que ficou preso por cinco dias, negam as acusações.

Pereira diz não saber o destino do dinheiro emprestado pelo banco Schahin Pinto reconheceu que tomou o empréstimo da em-presa Remar (apontada pela investigação como penúltima “parada” do dinheiro saído da Schahin), mas que não sabe da origem dos recursos.

A denúncia também envolve o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) Delúbio Soares e outras sete pessoas. Todas respondem por lavagem de dinheiro.

Denunciados
Ronan Maria Pinto
Sandro Tordin
Marcos Valério Fernandes de Souza
Enivaldo Quadrado
Luiz Carlos Casante
Breno Altman
Natalino Bertin
Oswaldo Rodrigues Vieira Filho
Delúbio Soares de Castro

Agora, cabe ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações penais da Lava Jato em primeira instância, aceitar ou não as denúncias. Moro aceitando, todos os relacionados se tornam réus no processo.

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