MPF denuncia Sérgio Cabral e mais 12 por crimes a partir de 2007

Roger Pereira


Do MPF

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia à Justiça contra o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e outros 12 acusados de se associarem para cometer corrupção e lavagem de dinheiro usando obras do governo do estado que receberam recursos federais a partir de 2007. A força-tarefa Lava Jato no MPF/RJ denunciou o ex-governador, dois ex-secretários – Wilson Carlos (Governo) e Hudson Braga (Obras) –, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo e outros membros da organização criminosa liderada por Cabral.

A denúncia, embasada nas investigações relacionadas à Operação Calicute, foi recebida pela 7ª Vara Federal Criminal, dando início ao processo penal (nº 0509503-57.2016.4.02.5101). Na ação, os procuradores da força-tarefa denunciam o grupo pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa nas obras para a urbanização em Manguinhos (PAC Favelas), construção do Arco Metropolitano e reforma do estádio do Maracanã para a Copa de 2014.

Foi apontada a divisão da organização em quatro núcleos: econômico (executivos de construtoras que ofereciam vantagens indevidas); administrativo (gestores estaduais que pediam e geriam entrada de propinas); financeiro operacional (recebedores de propinas e ocultadores de sua origem); e político (ex-governador e líder da organização).

“Não foram incluídas nesta denúncia todas as imputações de condutas delituosas ainda pendentes de apuração completa, o que se dará oportunamente mediante a abertura de procedimentos próprios”, afirmam os procuradores Lauro Coelho Júnior, José Augusto Vagos, Eduardo El Hage, Leonardo Cardoso de Freitas, Renato Silva de Oliveira e Rodrigo Timóteo da Costa e Silva, autores da denúncia.

Prisão preventiva – Na tarde desta terça-feira, 6/12, a Polícia Federal, no âmbito da Operação Calicute, executou diligência para cumprir determinação da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro de prisão preventiva de Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador Sérgio Cabral.

O pedido foi feito no dia 5/12 conjuntamente ao oferecimento da denúncia e justificou-se em razão das novas provas obtidas após a deflagração da Operação Calicute, que revelaram o seu papel de extremo protagonismo no núcleo financeiro operacional da organização criminosa.

Nesse sentido, a partir da suspeita provocada pela vertiginosa prosperidade de seu escritório de advocacia, foi comprovado que ela efetuava dezenas de compras de joias valiosas pagas com dinheiro em espécie; efetuava recebimentos de valores em espécie em seu proveito através de Carlos Bezerra, inclusive no próprio escritório de advocacia; celebrava contratos fictícios para lavagem de dinheiro, sendo certo que a denúncia já imputa como atos ilícitos aqueles decorrentes dos negócios com as empresas Portobello e Reginaves (Frangos Rica), havendo diversas outras situações suspeitas ainda pendentes do desfecho completo das investigações.

Some-se a isso que há fortes evidências de que as práticas de lavagem de ativos de Adriana Ancelmo ainda seguem ocorrendo, o que também justifica a sua prisão cautelar.

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Repórter do Paraná Portal
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