MPF tem até sexta-feira para aceitar denúncia contra Palocci e outros cinco

Fernando Garcel


Com informações de Tabata Viapiana

O Ministério Público Federal (MPF) deve decidir se aceita, ou não, a denúncia contra o ex-ministro Antônio Palocci e outras cinco pessoas até sexta-feira (28). Além de Palocci, a Polícia Federal (PF) indiciou os publicitários João Santana e Mônica Moura, o empreiteiro Marcelo Odebrecht, o ex-ministro Juscelino Dourado, o ex-assessor Branislav Kontic e o empresário Benedicto Barbosa da Silva Júnior nesta segunda-feira (24).

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Como há investigados presos, o MPF tem até cinco dias para decidir se oferece denúncia. Palocci está preso há um mês e é acusado de atuar de forma direta para beneficiar a Odebrecht em contratos com o Governo Federal. Em troca, a empreiteira teria repassado pelo menos R$ 128 milhões em propina ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Os pagamentos constam em planilhas apreendidas em etapas anteriores da Lava Jato, e que pertencem ao “setor de operações estruturadas”, o departamento da Odebrecht responsável por repasses de propina. No indiciamento, o delegado Filipe Pacce afirmou que, embora tenha deixado de exercer função pública em 2011, Palocci continuou administrando e recebendo valores ilícitos da Odebrecht de forma sistemática, além de ainda atuar em favor da construtora.

Nas planilhas da Odebrecht, segundo a PF, Palocci é identificado com o codinome “italiano”. De acordo com o delegado Filipe Pacce, também há indícios de que o ex-presidente Lula teria recebido R$ 8 milhões da empreiteira. A Polícia relacionou Lula ao codinome “amigo”, mas a investigação ainda será aprofundada por outra equipe da força-tarefa, comandada pelo delegado Márcio Anselmo.

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Operação Omertà

São investigadas na Operação Omertà, 38 obras da empreiteira Odebrecht em todo o País e no exterior. O relatório do delegado federal Filipe Hille Pace relacionou os alvos da investigação. “Relaciono algumas das obras públicas e/ou consórcios e empresas indicadas no documento mencionado, repetindo que, por se tratarem de arquivos recuperados, estão parcialmente corrompidos, não sendo permitindo vincular diretamente as obras e/ou consórcios e empresas indicadas com os beneficiários encontrados e mencionados acima”, afirma.

Segundo os integrantes da força tarefa, o material analisado e que embasou a operação de segunda-feira foi encontrado em outras fases da Operação, como por exemplo, uma planilha encontrada durante a fase Acarajé e outra encontrada no celular de Marcelo Odebrecht.

Segundo o MPF, os pagamentos feitos à conta eram constantes.  “Existe um pagamento que é feito constantemente e que forma um caixa mesmo, uma poupança e de onde são depois, pelo gestor da conta, no caso o senhor Antônio Palocci, destinados aos pagamentos de interesse do partido”, disse a procuradora Laura Gonçalves.

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