câmara de apucarana
Compartilhar

MPF exige afastamento de advogado para negociar delação de Palocci

O ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, Antonio Palocci, preso pela Operação Lava Jato desde setembro do ano p..

Fernando Garcel - 12 de maio de 2017, 19:05

O ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, Antonio Palocci, preso pela Operação Lava Jato desde setembro do ano passado, afastou o advogado criminalista José Roberto Batochio para fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF). De acordo com a Folha de São Paulo, o afastamento do advogado foi uma exigência da força-tarefa porque ele é contrário aos acordos de colaboração.

ANÚNCIO

Quando foi interrogado pelo juiz federal Sérgio Moro, em abril, no processo que responde pelo suposto recebimento de R$ 128 milhões em propinas pela empreiteira Odebrecht, Palocci afirmou que iria colaborar com a investigação. No final do depoimento, ele afirmou que teria documentos importantes para a força-tarefa.

> Palocci diz estar disposto a colaborar com as investigações da Lava Jato

“A Lava Jato realiza uma investigação de importância, e acredito que posso dar um caminho que vai lhe dar mais um ano de trabalho, mas é um trabalho que vai fazer bem ao Brasil”, disse o ex-ministro. “Todos os nomes que eu optei por não falar, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição”, declarou Palocci ao fim da oitiva.

ANÚNCIO

Em nota, o escritório de advogados confirmou que o ex-ministro estaria em negociações com o MPF. “O escritório José Roberto Batochio Advogados Associados deixa hoje o patrocínio da defesa de Antonio Palocci em dois processos que contra este são promovidos perante o juízo da 13.ª Vara Federal de Curitiba, em razão de o ex-ministro haver iniciado tratativas para celebração do pacto de delação premiada com a Força Tarefa Lava Jato, espécie de estratégia de defesa que os advogados da referida banca não aceitam em nenhuma das causas sob seus cuidados profissionais", diz a nota.

Acusação contra Palocci

Em depoimento a Moro, o delator e empresário Marcelo Odebrecht, responsável pela empreiteira, confirmou que Palocci é o “Italiano” que aparece nas planilhas de pagamentos do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, considerado pela Lava Jato como o setor de pagamento de propinas da empresa.

> “Codinome italiano eu só usava para me referir a Palocci”, diz Odebrecht

Em depoimento prestado na terça-feira (18) a publicitária Mônica Moura afirmou que o ex-ministro era quem a encaminhava quem iria receber os valores de caixa 2.

> “Palocci que me encaminhava quem ia me pagar o caixa 2” diz Mônica Moura, em depoimento

Palocci está preso desde o dia 26 de setembro na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba. Kontic foi preso no mesmo dia, mas liberado em 15 de dezembro após decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Denúncia

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro estabeleceu uma ligação com altos executivos da Odebrecht com o objetivo de atender aos interesses do grupo diante do governo federal. Isso aconteceu entre 2006 e 2015.

Segundo as investigações, a interferência de Palocci teria se dado mediante o pagamento de R$ 128 milhões em propinas. Os recursos eram destinados principalmente ao Partido dos Trabalhadores (PT).

PF prende Antônio Palocci na 35ª fase da Lava Jato

Ainda de acordo com o MPF, o ex-ministro também teria participado de uma conversa sobre a compra de um terreno pra a sede do Instituto Lula, feita pela Odebrecht.

A ação penal decorrente da Operação Omertà tem 15 réus, entre eles Palocci e o herdeiro do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht.

Palocci está preso desde setembro de 2016, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba e responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.