MPF reforça pedido de condenação de Bumlai e outros réus da Lava Jato

Fernando Garcel


O Ministério Público Federal (MPF) protocolou no sistema eletrônico da Justiça Federal do Paraná na noite desta segunda-feira (18) uma alegação em que reforça o pedido de condenação contra o pecuarista José Carlos Bumlai, o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores João Vaccari Neto e outros oito réus em uma ação penal da Operação Lava Jato.

Eles respondem por crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e corrupção ativa e passiva, e serão julgados pelo juiz Sérgio Moro.

O processo é oriundo da 21ª fase da operação, batizada de Passe Livre, em que Bumlai foi preso preventivamente acusado de envolvimento em fraudes no contrato para a operação do navio-sonda Vitória 10.000. De acordo com os investigadores, o pecuarista contraiu um empréstimo de R$ 12 milhões junto ao banco Schahin, em 2004, e o beneficiário final do dinheiro seria o PT. Em 2009 a dívida foi perdoada e a Engenharia Schahin foi beneficiada com um contrato de 1 bilhão e 600 milhões de dólares com a Petrobras.

CapturarNas alegações finais, o MPF pede que o pecuarista pague mais de R$ 53,5 milhões, que corresponde ao valor atualizado pelos juros da quitação do empréstimo oferecido como contrapartida pelo contrato de operação do navio-sonda somado ao montante de propina oferecida ao ex-gerente da estatal, Eduardo Musa.

No documento, os procuradores também reforçam o pedido de condenação e o retorno de José Carlos Bumlai à prisão após o tratamento médico. Para o MPF. o pecuarista representa “risco para o prosseguimento das investigações que ainda não findaram” e que a prisão domiciliar é incabível diante do “risco às investigações em trâmite que o envolvem”. O empresário está em prisão domiciliar desde 21 de março para se tratar de um câncer na bexiga e usa tornozeleira eletrônica.

Esta etapa do processo é a última antes da sentença do juiz.

O pecuarista José Carlos Marques Bumlai responde por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta contra instituição financeira; o filho, Maurício de Barros Bumlai responde por gestão fraudulenta contra instituição financeira e lavagem de dinheiro. Os executivos do banco Schahin, Salim Taufic Schahin, Fernando Schahin e Milton Taufic Schahin, respondem por corrupção ativa, gestão fraudulenta contra instituição financeira e lavagem de dinheiro.

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o lobista Fernando Soares, os ex-diretores da área Internacional da Petrobras Jorge Zelada e Nestor Cerveró, serão julgado por corrupção passiva.

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