MPF volta a pedir que Lula se explique sobre bens apreendidos em cofre

Roger Pereira


O Ministério Público Federal pediu que o juiz federal Sérgio Moro determine que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresente suas explicações sobre o cofre apreendido no Banco do Brasil durante a 24ª fase da Operação Lava Jato (Alethéia) com bens que o ex-presidente teria levado do Palácio Alvorada depois que concluiu seu mandato. Os procuradores pedem que o juiz dê prazo de cinco dias para Lula indicar a data e a circunstância em que ganhou cada item.

O pedido já havia sido feito em março, logo após o cumprimento do mandado de busca e apreensão contra o ex-presidente, e deferido pelo magistrado, que deixou claro, no entanto, que Lula tinha o prazo de cinco dias para se manifestar “em querendo”, ou seja, sem obrigação. No dia 28 de março, os advogados de Lula pediram mais prazo para a manifestação, na sequência, o processo foi suspenso com a nomeação do ex-presidente para o Ministério da Casa Civil, o que, por conta do foro privilegiado, fez com que o caso fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal.

Com o retorno do processo para a primeira instância, no mês passado, após o afastamento da presidente Dilma Rousseff e a exoneração de seus ministros, o MPF voltou a pedir explicações a Lula.

Segundo a Polícia Federal, os bens em questão foram retirados do Palácio do Planalto pelo ex-presidente e guardados em um cofre da Agência Líbero Badaró do Banco do Brasil, em São Paulo, por cinco anos sem qualquer custo, conforme informou em depoimento o gerente da agência. A PF investiga se os bens são de propriedade de Lula ou se são da Presidência de República, assim como apura também se o transporte e armazenamento dos objetos foram custeados por empresas beneficiadas no esquema da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato.

Em nota, os advogados de Lula afirmam que antes de decidir sobre a petição do Ministério Público Federal, Sérgio Moro precisa se pronunciar sobre o pedido da defesa de Lula para que ele se declare impedido de julgar o ex-presidente. Sobre os objetos, a defesa diz que “são parte do acervo presidencial privado e estão de acordo com a lei 8.394/91, que determina que este acervo seja preservado pelos ex-presidentes. Quando Lula deixou o governo, a Presidência da República catalogou todos os objetos de seu acervo e providenciou a mudança para São Paulo”.

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Repórter do Paraná Portal
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