“Mudança de governo não é meio caminho andado contra corrupção”, diz Dallagnol

Fernando Garcel


Em coletiva de imprensa na sede do Ministério Público Federal, em Curitiba, nesta quinta-feira (28), o Procurador da República e coordenador da força tarefa da Lava Jato no MPF, Deltan Dallagnol, comentou o processo de impeachment da presidente Dilma Roussef.  Dallagnol afirmou que a possível “mudança de governo não é meio caminho andado contra corrupção”.

Segundo o procurador, a corrupção foi adotada como um “modelo de negócio profissional” no Brasil. E para combater essa “cultura política”, ele defendeu a reforma política e as “10 medidas de combate à corrupção”. O projeto de lei de iniciativa popular reúne 20 propostas de alterações legislativas e foi entregue no fim do mês passado ao Congresso Nacional.

Durante a coletiva, o procurador rebateu as críticas de que a Lava Jato estaria sendo usada com intenções políticas. Ele criticou os acusados que se dizem “perseguidos” pela operação e fazem uma defesa política e não jurídica. “Nossa investigação é técnica, seria e apartidária”, afirmou.

Dallagnol argumentou que todas as acusações formuladas pela Lava Jato são baseadas em provas consistentes e que devem ser respondidas da mesma forma na justiça.

MPF denuncia 17 envolvidos nas operações Acarajé e Xepa

Durante a coletiva o MPF divulgou a denúncia de dezessete pessoas acusadas na 23ª e 26ª fases da Lava Jato, Acarajé e Xepa. Os dois processos foram devolvidos na semana passada ao juiz Sérgio Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Entre os investigados denunciados na operação Acarajé estão o marqueteiro João Santana e a esposa Monica Moura. Além deles aparecem na lista o operador de propinas Zwi Skornicki. Os três já foram denunciados pelo MPF em março, mas como a denúncia ficou suspensa com o envio ao Supremo Tribunal Federal (STF), agora ela pode ser reapresentada.

Na outra denúncia, relacionada a Operação Xepa, a Força-Tarefa investigou o setor de operações estruturaras da Odebrecht. Que se tratava de um setor exclusivo para pagamento de propinas. Entre os denunciados estão presidente do grupo, Marcelo Odebrecht, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e novamente os marqueteiros João Santana e Monica Moura.

Agora as denúncias seguem para a Justiça Federal e o juiz Sérgio Moro decide se aceita ou não essas denúncias. Caso elas sejam aceitas, os investigados passam a ser réus no processo.

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