Na mira do MPF, Sete Brasil deve ter denúncia de cartel

Narley Resende


O MPF (Ministério Público Federal) denunciou na última quinta-feira (28) uma fraude na Sete Brasil, mas o envolvimento da empresa na Lava Jato está longe de terminar: o esquema já foi confirmado por três delatores, envolve cinco estaleiros e provas de mais de US$ 12 milhões em propina.

A Sete Brasil foi criada em dezembro de 2010 para construir 21 sondas de exploração de petróleo para a Petrobras. A ideia era atender a demanda do pré-sal e fomentar a indústria naval brasileira. Com as obras pelo caminho, o plano teve mais uma derrocada na última sexta-feira (29), quando a empresa pediu recuperação judicial na Justiça do Rio.

Enquanto algumas diretorias da Petrobras eram loteadas entre o PT e outros partidos, como o PMDB, a Sete Brasil era toda dos petistas. De acordo com o MPF, o ex-tesoureiro do partido João Vaccari costurou um acordo que renderia propina de 0,9% de cada contrato de sonda. A Sete Brasil delegou a cinco estaleiros (Keppel Fels, Jurong, Atlântico Sul, Rio Grande e Enseada do Pa-raguaçu) a tarefa de construir as 21 sondas.

Apenas um dos estaleiros, o Keppel Fels, foi alvo da denúncia na última quinta, mas o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que assumiu uma diretoria da Sete ao se aposentar, afirma que todos pagaram propina. João Ferraz, ex-presidente da Sete, e Eduardo Musa, ex-diretor, também fizeram delação e confessaram terem recebido. O dinheiro, segundo o MPF, era dividido entre a “casa” (ex-dirigentes da Petrobras e da Sete) e o PT.

Do valor devido ao partido pela Keppel, que era representada pelo lobista Zwi Skornicki, US$ 4,5 milhões foram usados para pagar o marqueteiro João Santana. O coordenador da Lava Jato no Paraná, procurador Deltan Dallagnol, adianta que deve haver novas denúncias sobre a Sete Brasil, já que há evidências de que os estaleiros fraudaram a licitação das sondas para lucrar mais.

“Não está sendo denunciado [na acusação contra a Keppel] o cartel, está sendo denunciada a corrupção e a lavagem de dinheiro, mas nós temos fortes indicativos da existência de cartel”, diz.

Na delação, Barusco mostrou comprovantes de recebimento da Jurong e da Keppel, já que os outros três estaleiros se encarregaram de fazer os repasses apenas ao partido. A Sete Brasil afirma que colabora com as investigações. “A atual direção da Sete Brasil, que assumiu o comando da empresa em maio de 2014 – ou seja, posteriormente à suposta ocorrência citada na denúncia do MPF – tem todo o interesse que os fatos em apuração pela Operação Lava Jato sejam esclarecidos”, diz nota da empresa.

MPF volta a negar delação da Odebrecht

Apesar de a Odebrecht anunciar a intenção de fazer “uma colaboração definitiva” com a Lava Jato – o que foi interpretado como a decisão de que os executivos façam delação premiada – o MPF sustenta que não há acordo formal em andamento.

Com a soltura dos executivos Rogério Araújo e Márcio Faria na última semana, o presidente Marcelo Odebrecht é o único que segue preso. É esperado que a delação de Odebrecht, se ocorrer, seja uma das mais abrangentes da Lava Jato, pois a empresa já é denunciada por ter um “setor interno de propinas” que organizava pagamentos ilegais por dezenas de obras a nível federal, estadual e municipal.

(Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba)

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="355318" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]