“Não venham, não precisa”, diz Moro a apoiadores da Lava Jato

Narley Resende


O juiz federal Sergio Moro postou na página mantida por sua esposa, Rosângela Wolf Moro, nas redes sociais um vídeo pedindo para que as pessoas que apoiam a Operação Lava Jato não compareçam na Justiça Federal no dia do interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para a próxima quarta-feira (10), às 14 horas.

“Não venham, não precisa”, diz o juiz.

“Eu tenho ouvido que muita gente que apoia a Operação Lava Jato pretende vir a Curitiba manifestar esse apoio, ou pessoas mesmo de Curitiba pretendem vir aqui manifestar esse apoio. Eu diria o seguinte: esse apoio sempre foi importante, mas nessa data ele não é necessário. Tudo que se quer evitar nessa data é alguma espécie de confusão e conflito e, acima de tudo, não quero que ninguém se machuque”, declarou.

Nos comentários do vídeo, o secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, apoia a atitude. “Mensagem importante, devemos difundir….”, escreveu Mesquita.

Assista:

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A Polícia Militar do Paraná fará o credenciamento de moradores, comerciantes e trabalhadores da região onde está localizada a Justiça Federal, no Bairro Ahú, para o controle de acesso ao perímetro da Operação de Apoio à Justiça Federal, em virtude do evento que ocorrerá no dia 10 de maio. Haverá duas formas de cadastramento ocorrendo simultaneamente no sábado (06/05), domingo (07/05) e segunda-feira (08/05), das 9h às 18h.m uma delas os policiais militares fardados (pertencentes à Escola de Oficiais da Academia Policial Militar do Guatupê) visitarão os comércios, residências e prédios e farão questionamentos pertinentes aos moradores como endereço, números de documentos, se possuem veículos, dependentes e quais pessoas intencionam acessar a área no dia do evento.

Também será deixado o formulário e um informativo nos locais onde não forem encontradas pessoas no horário da visita da PM. Nos prédios os contatos serão feitos diretamente com os síndicos, os quais receberão os formulários e informativos, que devem ser preenchidos pelos residentes.

Na segunda forma de cadastramento, policiais militares fardados estarão na Praça Pedro Alexandre Broto, em frente à Justiça Federal, à disposição dos moradores e comerciantes da região para fazer o cadastramento daqueles que optem por esta forma, ou não sejam encontrados pelos policiais durante a visita.

Isolamento

No dia do evento haverá dois perímetros controlados pela Polícia Militar: no primeiro, mais próximo à Justiça Federal, acessarão os moradores com seus veículos desde que todos cadastrados previamente e que não os deixem na rua; já o segundo perímetro, poderá ser acessado por moradores (com seus veículos desde que possuam garagem e não os deixem na rua) e outras pessoas a pé e veículos autorizados/credenciados.

“Concitamos os moradores, comerciantes e trabalhadores a fazerem o seu cadastramento para que no dia possam acessar a área de controle, onde estarão suas residências e locais de trabalho, de maneira mais rápida. No dia do evento, basta que tenham em mãos um documento de identificação com foto e comprovante de endereço”, informa o porta-voz da Polícia Militar, tenente Rafael Bittencourt Riscarolli.

“As medidas que estão sendo adotadas pela Polícia Militar visam a preservação da ordem pública e a segurança direta dos moradores, comerciantes e trabalhadores da região em face da operação que está sendo desencadeada”, destaca o tenente.

Depoimento

O ex-presidente Lula foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. No inquérito, Lula é apontado como recebedor de vantagens pagas pela empreiteira OAS no triplex do Guarujá. Os laudos apontam melhorias no imóvel avaliadas em mais de R$ 777 mil, além de móveis estimados em R$ 320 mil e eletrodomésticos em R$ 19,2 mil. A PF estima que as melhorias tenham custado mais de R$ 1,1 milhão no imóvel do Guarujá.

> Com 149 páginas, denúncia só aborda apartamento do Guarujá a partir da página 92

Okamoto foi indiciado por crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele recebeu vantagens indevidas entre 2011 e 2016 que totalizaram mais de R$ 1,3 milhão do empreiteiro Léo Pinheiro.

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, é acusado por corrupção ativa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Ele teria pagado a Gordilho, ex-diretor da OAS, para a realização das obras e trasporte e armazenamento dos bens do casal. O total pago em vantagens indevidas chegaria a R$ 2.430.193.

Paulo Gordilho teria atuado diretamente no pagamento de propina junto a Léo Pinheiro. Foi indiciado pelos crime de corrupção ativa.

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