Nelson Meurer e filhos viram réus na Lava Jato

Narley Resende


Por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou nessa terça-feira (21) a denúncia contra o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) e seus dois filhos, no âmbito da Operação Lava Jato. A denúncia é por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Dessa forma, os três se tornaram réus em um dos inquéritos da Lava Jato no STF.

A denúncia contra Meurer foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República em outubro do ano passado. O inquérito investiga pessoas com foro privilegiado por prerrogativa de função.

“A denúncia é precisa ao indicar a participação de Meurer na formação e viabilização do mecanismo de repasse de propina ao PP”, afirmou o ministro Teori Zavascki.

Em documentação apresentada ao Supremo, o procurador da República Rodrigo Janot afirma que o Partido Progressista recebeu R$ 62 milhões do esquema investigado na Lava Jato e que R$ 29,7 milhões foram destinados a Meurer na época em que ocupava a liderança do partido entre 2006 e 2014.

Os valores teriam sido pagos por meio de entregas pessoais de dinheiro ao deputado ou aos dois filhos dele, Cristiano e Nelson Meurer Junior.

De acordo com a denúncia, também houve recebimento de valores do Posto Torre, na região central de Brasília, que inclusive deu origem às investigações da Operação Lava Jato e foram feitos depósitos pulverizados em contas bancárias do parlamentar.

Durante o julgamento na Segunda Turma do STF, a defesa de Meurer e dos dois filhos negou irregularidades e que o Ministério Público Federal não apresentou provas, mas apenas a palavra de delatores.

À rádio CBN Curitiba, o advogado do parlamentar, Michel Saliba, disse que a defesa está trabalhando para produzir as melhores provas e demonstrar a inocência de Meurer.


Nelson Meurer é o segundo político investigado na Lava Jato a se tornar réu no Supremo. Até o momento, só tinha sido aberto um processo contra o deputado Eduardo Cunha. Meurer, inclusive, integra o Conselho de Ética da Câmara. Na semana passada, ele votou contra a cassação de Cunha.

 

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