Nestor Cerveró deve deixar a cadeia na sexta-feira

Mariana Ohde


O ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, deve deixar a cadeia na próxima sexta-feira (24). Ele vai passar a cumprir prisão domiciliar, benefício previsto no acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O acordo assinado com a PGR, em novembro do ano passado, especifica que a prisão domiciliar deve ser cumprida com monitoramento por tornozeleira eletrônica. Na tarde de quinta-feira (23), Cerveró deve ir até a Justiça Federal do Paraná para instalar o aparelho. Na manhã seguinte, segue para o Rio de Janeiro em voo comercial.

Atualmente, o ex-diretor está detido na superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Cerveró foi preso em janeiro de 2015, na oitava fase da Operação Lava Jato. Condenado em dois processos diferentes, por corrupção e lavagem de dinheiro, ele soma mais de doze anos de prisão. Cerveró ainda responde em outra ação, da 21ª fase da operação.

O acordo de colaboração do ex-diretor prevê, ainda, a devolução de R$ 18 milhões aos cofres públicos e que as penas, somadas, não passem de 25 anos de prisão. Após um ano e cinco meses detido em Curitiba, ele ganha o direito de cumprir o restante da pena em regime domiciliar.

Cerveró é apontado como um dos vários beneficiários da propina desviada da área internacional da Petrobras. Em apenas dois contratos para operação de navios-sonda, ele teria recebido US$ 40 milhões. Cerveró também se envolveu em uma polêmica com o senador cassado, Delcídio do Amaral. O filho do ex-diretor, Bernardo Cerveró, gravou uma conversa com Delcídio em que ele planejava uma rota de fuga para levar Cerveró até a Espanha. Além disso, o ex-senador teria oferecido R$ 250 mil para que o ex-diretor não assinasse delação premiada. A gravação levou Delcídio à prisão e o senador cassado, posteriormente, também se tornou delator.

Cerveró citou, em sua colaboração, nomes de políticos do PMDB que teriam recebido vantagens indevidas. Ele disse que ganhou do ex-presidente Lula um cargo na BR Distribuidora como “reconhecimento” por ter ajudado a quitar uma dívida do PT com o Banco Schahin. Por fim, disse acreditar que a presidente afastada Dilma Rousseff tinha conhecimento do esquema de desvios da Petrobras.

(Com informações da CBN Curitiba)

Previous ArticleNext Article
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal