No depoimento de Youssef, defesa de Lula e Sérgio Moro voltam a bater boca

Roger Pereira


Em depoimento à Justiça Federal, no processo que tem como réu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o doleiro Alberto Youssef  confirmou as indicações políticas para cargos na Petrobras e admitiu o pagamento de propina nos três contratos da OAS com a Petrobras que são alvo do processo (dois na Refinaria Abreu e Lima e um na Refinaria Presidente Getúlio Vargas). Youssef disse que discutiu o pagamento de propina com líderes do PP, como os deputados e ex-deputados Pedro Corrêa, João Pizzolatti, Mário Negromonte e Nelson Meurer, mas não relacionou o ex-presidente Lula diretamente com o caso.

“Jamais, nem o conheço”, disse ao ser indagado sobre Lula.

Bate-boca

A audiência, mais uma vez, foi marcada por discussões ríspidas entre os advogados de Lula e o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condução do caso. O momento de maior tensão foi quando a defesa do ex-presidente questionou se Youssef tinha acordo de colaboração firmado ou em negociação em outros países.

“Mesmo que eu tivesse firmado, não poderia dizer, porque é sigiloso”. A defesa de Lula protestou, dizendo que, na qualidade de testemunha, Youssef era obrigado a responder e que, se não apresentasse nenhum documento comprovando a existência de um compromisso de sigilo, ele não poderia utilziar tal argumento.

Sérgio Moro indeferiu o questionamento da defesa e permitiu que Youssef não respondesse tais questões, respeitando o possível acordo de confidencialidade. Após longa discussão, Moro concordou com que a defesa fizesse as perguntas, para que fossem registradas, mas permitiu que o depoente se recusasse a responder. Assim os advogados questionaram com quantos países ele estaria negociando, se esses acordos envolveriam apenas matéria penal ou cível também, se tinha a participação do Ministério Público Federal e de outras autoridades brasileiras, todas sem resposta de Youssef.

Quando a defesa de Lula perguntou se Youssef havia viajado para fora do país para prestar depoimento, Moro interrompeu e ironizou a defesa. “Essa eu posso responder para o senhor. A testemunha está presa desde 17 de março de 2014. Está, agora, em prisão domiciliar. Não tem como viajar para o exterior”.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal