“Nunca fomos acusados e nem condenados”, diz presidente do Instituto Lula

Fernando Garcel


Redação com Sandro Badaró

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, esteve na Praça Santos Andrade, em Curitiba, onde ocorre um ato de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira (10) e comentou a decisão do juiz substituto da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, Ricardo Augusto Soares Leite, que ordenou a suspensão das atividades do instituto com base em uma pedido do Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) que não existe.

De acordo com Okamotto, a medida é autoritária. “Preventivamente alguém alega que o instituto teria cometido crime, mas nunca fomos acusados e nem condenados a nada. É realmente um grande absurdo”, disse Okamotto. “Vamos esperar o despacho do juiz para estudar e ver as medidas que vamos tomar para tentar reparar essa agressão ao Estado de Direito no Brasil”, finalizou.

O juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite já foi investigado pela Corregedoria Nacional da Justiça por causa de ações à frente da Operação Zelotes. Segundo investigadores da operação, Leite barrou vários pedidos de prisão preventiva solicitados pela Polícia Federal e paralisou as interceptações telefônicas quando as diligências caminhavam para comprovar crimes praticados por altos funcionários de bancos como o Safra, Bradesco e Santander. As investigações não avançaram.

> ‘Instituto Lula surgiu de uma conversa com Marisa’, diz Bumlai
> Ex-presidente Lula, Marisa, Paulo Okamoto e outros cinco são denunciados na Lava Jato

Paulo Okamotto também é réu no processo que envolve o triplex no Condomínio Solaris, que engloba a investigação sobre o armazenamento de bens do ex-presidente Lula depois que ele deixou a presidência.

Sobre a Operação Lava Jato, e o ambiente criado para o depoimento de Lula, Okamotto afirmou que considera a condução da investigação equivocada.  Na última quinta-feira (4), Okamotto já foi interrogado pelo juiz Sérgio Moro no processo. Ele afirma que o depoimento foi uma oportunidade para esclarecer os fatos que está confiante na absolvição.

“Em um caso como esse você divide o país, traz intranquilidade, coloca turma de um lado e turma de outro… Isso não é bom para a Justiça. Eu acho que a Justiça tem que funcionar para todo mundo igual. A Justiça não pode condenar antecipadamente. Infelizmente, quando você recorre a opinião pública permanentemente você acaba condenando as pessoas de forma antecipada e isso é muito ruim para a democracia”, declarou. “Acredito que seremos absolvidos nesse processo”, finalizou Okamotto.

Paulo Okamotto participou dos atos em defesa de Lula desde o início da tarde. Assim como o ex-presidente, Okamotto é ex-torneiro mecânico e na política se tornou o braço direito de Lula.

Decisão do MPF-DF

No despacho publicado na terça-feira (10), o magistrado afirma que deferiu “medidas postuladas pelo MPF”, porém a manifestação do procurador da República Ivan Cláudio Marx não contém orientações sobre medidas que deveriam ser tomadas contra o Instituto Lula.

Previous ArticleNext Article