“O raio caiu duas vezes no mesmo lugar”, diz Roberto Teixeira em resposta à denúncia

Roger Pereira


Em resposta à acusação na ação penal que tem como objeto a reforma do sítio em Atibaia, cuja real propriedade é atribuída pelo Ministério Público Federal ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o advogado pessoal de Lula, Roberto Teixeira, afirmou que está sendo processado, mais uma vez, apenas por ter cumprido com suas funções de advogado. A defesa de Teixeira, que também é réu na ação que envolve a compra de um imóvel para sediar o Instituto Lula e do apartamento vizinho ao que o ex-presidente reside, em São Bernardo do Campo, inicia a resposta dizendo ter se enganado em sua convicção de que “o raio não cairia duas vezes no mesmo lugar”.

A defesa tinha uma crença particular. E não era por acreditar no ditado popular. Afinal, a defesa sabe que, na natureza, um raio pode sim cair no mesmo lugar. Aliás, em sua cartilha de Proteção contra Raios, o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, deixa claro que, sim, ‘os raios podem cair no mesmo lugar várias vezes, contrariando o dito popular’, introduz a defesa de Teixeira, para depois afirmar que “em verdade, a crença justificava-se na esperança de que o Ministério Público Federal, mormente após a instrução da Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000, conseguisse compreender o papel da Advocacia! Era por ter fé de que seria assimilado que a atuação profissional de um advogado, nas defesas dos interesses de um seu cliente, não se insere dolosamente – mesmo quando se inserir naturalisticamente em eventuais encadeamentos criminosos! Era, enfim, por esse otimismo de que o papel do advogado seria entendido – otimismo que agora se mostra ingênuo –que a defesa chegou a imaginar que o raio não cairia no mesmo lugar. Triste engano! Caiu”.

Sim, é exatamente disso que, novamente, se trata: O advogado Roberto Teixeira está respondendo a um processo criminal cuja denúncia atribuiu-lhe, unicamente, típicos atos inerentes ao habitual desempenho profissional”, diz a defesa, que insinua que as acusações que pesam sobre Roberto Teixeira visam, indireta e reflexamente, atingir também a classe profissional como um todo. “Afinal, é o advogado quem contesta as alegações do Ministério Público. É o advogado quem aponta nulidades. É o advogado quem critica os trabalhos de acusação. É o advogado quem recorre a instâncias superiores. Enfim, é o advogado aquela pedra inconveniente a tentar criar obstáculos nos caminhos adrede pavimentados pela acusação”, sustenta.

Roberto Teixeira é réu na ação penal em que Lula é acusado de ter recebido propina proveniente de seis contratos firmados entre a Petrobras e a Odebrecht e a OAS através de reformas realizadas no sítio. Conforme a denúncia, as melhorias no imóvel totalizaram R$ 1,02 milhão.

Teixeira é acusado de Lavagem de Dinheiro, apontado como responsável pela obtenção de notas fiscais frias para simular que as obras realizadas no sítio teriam sido arcadas por  Fernando Bittar, proprietário, no papel, do imóvel.

Previous ArticleNext Article
Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal