OAS pagou por armazenamento de Lula, mas não era propina, diz Paulo Okamoto

Roger Pereira


Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto afirmou, na tarde desta quinta-feira, que a construtora OAS pagou, durante quatro anos, R$ 22 mil mensais para que acervo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fosse armazenado pela empresa Granero. Segundo Okamoto, os pagamentos, no entanto, não faziam parte de nenhum acerto de propina ou contrapartida por eventual benefício recebido pela OAS durante o governo Lula.

“Isso não fez parte de nenhum acerto, foi contribuição de uma empresa que apoia projetos culturais, projetos de preservação da história”, disse Okamoto, citando que a intenção do Instituto Lula era deixar o material por poucos meses na Granero, mas, pela dificuldade em encontrar um local para abrigar os cerca de 11 caminhões de objetos, o período foi se estendendo por anos.

Questionado pelo juiz Sérgio Moro sobre por que não há nenhum registro contábil da “doação” da OAS ao Instituto, o presidente do Instituto Lula justificou que. “Não foi contabilizado porque não entrou dinheiro no Instituto. Quem pagava era a OAS, quem recebia era a Granero, nenhum valor passava pelo Instituto. Foi uma colaboração indireta, por isso não tem registro contábil”.

Depoimento

Okamoto explicou que tentou diversas alternativas para destinar tal acervo, como museus, universidades, Correios, com a intenção de que o material pudesse ser exposto, mas não teve sucesso. “Foi quando, em fevereiro de 2011, o Léo Pinheiro foi visitar o ex-presidente Lula, eu comentei sobre a situação e pedi o apoio, e ele, que disse que já tinha negócios com a Granero, acertou tudo com eles”, disse, enfatizando que é uma operação completamente legal o apoio privado a esse tipo de ação. “É patrimônio público, da história do Brasil, sob a custódia do ex-presidente. Ele pode receber apoio do Estado para administrá-lo, bem como pode receber, também, da iniciativa privada”, destacou.

Okamoto depôs no processo em que é réu, ao lado do ex-presidente Lula (que será ouvido na próxima quarta-feira, dia 10), na denúncia de recebimento de vantagens indevidas da construtora OAS, na reforma e destinação de um apartamento tríplex no Guarujá e no armazenamento de bens pagos pela empreiteira (parte da denúncia que atinge o presidente do Instituto).

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Repórter do Paraná Portal
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