OAS, UTC e Toyo Setal pagaram propina a Argello, diz delator

Roger Pereira


Delator da Operação Lava Jato, o ex-conselheiro da Toyo Setal, Júlio Camargo, afirmou, em depoimento à Justiça Federal do Paraná que, pelo menos, Toyo Setal, UTC Engenharia e OAS aceitaram o pedido de pagamento de propina ao ex-senador Gim Argello para serem brindados na CPI da Petrobras de 2014, da qual Argello era vice-presidente.

Camargo disse que acompanhou o então presidente da OAS, Léo Pinheiro, a uma reunião na casa de Argello para discutir a CPI. Apesar de ouvirem de Argello que as empreiteiras não eram o foco da CPI, ele disse que, nesta primeiro reunião, Pinheiro indagou se Argello precisaria de contribuição para campanha política visto que as eleições se aproximavam.

Numa segunda reunião, contou o delator, Argello anunciou que seria candidato a vice-governador do Distrito Federal, que precisaria juntar um grupo de empresas para doar-lhe R$ 5 milhões cada e que as empresas que concordassem em participar deste grupo poderiam ficar tranquilas que não seriam incomodadas pela CPI da Petrobras. “Ele disse que, embora o foco da CPI não fosse nas empresas de engenharia, já havia requerimentos para convocar alguns executivos, citando, inclusive, o meu nome”, relata Júlio Camargo.

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Num terceiro encontro, Camargo disse que levou com ele e Léo Pinheiro o proprietário da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa. Nesta reunião, relata o delator, Argello reafirmou a necessidade de colaboração de R$ 5 milhões de cada empresa, dizendo que precisaria de R$ 2 milhões de imediato. “Nós (Toyo Setal), UTC e OAS concordamos em fazer esse pagamento. O cronograma para pagar o restante seria estabelecido posteriormente. Eu não paguei os R$ 5 milhões. Depois desta primeira colaboração de R$ 2 milhões, só fiz mais dois pagamentos de R$ 100 mil. Não sei se as outras empresas pagaram todo o restante”, disse.

Proprietário da Setal Engenharia, Agusto Ribeiro de Mendonça Neto confirmou que, acatando sugestão de Júlio Camargo, fez os pagamentos a Gim Argello para blindar-se da CPI. “Tínhamos uma verba separada para doações eleitorais, que pretendíamos destinar a políticos comprometidos com a questão do conteúdo local para contratos da Petrobras, mas o Júlio sugeriu destinar parte desta verba para os membros da CPI, como o Gim Argello, o que acabei concordando”, disse.

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Repórter do Paraná Portal
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