Após 2 anos e meio, Odebrecht deixa prisão em Curitiba

Andreza Rossini


Narley Resende e Andreza Rossini

O empresário Marcelo Odebrecht deixou a superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, e segue para prisão domiciliar em uma mansão, nesta terça-feira (19).

Após sair da PF, ele seguiu para a Justiça Federal onde foi pela juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba e recebeu as instruções da prisão domiciliar. O empresário também pediu autorização à Justiça para a compra de uma bateria adicional e um carregador portátil da tornozeleira.

O aparelho tem uma taxa de R$ 149 ao mês, mas o valor da bateria adicional.

Da sede da Justiça, ele segue para o aeroporto.

O advogado de Odebrecht, Narbor Bulhões, se reuniu, na segunda-feira (18), com a juíza responsável pela execução das penas.

Marcelo Odebrecht deixando a PF. Imagens: Juliana Gloss/BandNews FM Curitiba

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Odebrecht chegando a Justiça Federal. Imagens: Narley Resende/Paraná Portal

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Como colaborador, o empresário fica a disposição da Justiça e segundo o advogado vai comparecer sempre que for convocado. “O que ele nos disse é que, nesse momento, quer apenas voltar ao convívio familiar e ser efetivo em sua colaboração. Ele não tem qualquer outro plano ou objetivo neste momento”, disse Bulhões.

Pena

Ele volta para casa 914 dias após ser preso na 14ª fase da Operação Lava Jato, no dia 19 de junho de 2015. Odebrecht foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro, corrupção e associação criminosa. Devido ao acordo com a Justiça, ele cumpre dez anos de pena, sendo que os 2 primeiros anos e cinco meses foram em regime fechado.

A multa imposta no acordo de delação premiada para a progressão do regime para o domiciliar fechado, no valor de R$ 73,3 milhões, já foi quitada.

A partir de 2020 o empresário vai poder andar nas ruas sem monitoramento e em 2025, quando tiver cumprido os dez anos de pena, será totalmente livre.

Mansão 

Ao deixar a PF, Odebrecht vai cumprir pena em uma mansão de 3 mil m², com piscina e campo de futebol, em um condomínio com segurança máxima no Morumbi, área nobre de São Paulo.

Corretores avaliam o imóvel entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. Para acessar o local, o visitante precisa de autorização de um morador, além de apresentar documentos e digitais.

O empresário vai poder receber, em sua casa, 15 pessoas informadas à Justiça que podem ser alteradas a qualquer momento mediante ofício.

Marcelo Odebrecht chegou à Justiça Federal para depoimento em viatura da PF | Foto: Andreza Rossini
Foto: Andreza Rossini

Exigências do MPF

O Ministério Público Federal solicitou que a defesa do empresário apresentasse uma série de documentos para avaliar se ele “faz jus aos benefícios” do acordo com a Justiça. 

Entre os documentos solicitados pelos procuradores estão extratos bancários, valores de bens móveis e imóveis e o montante devolvido aos cofres públicos por meio do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o advogado, os documentos já estavam anexos ao processo. “Já se encontravam com o Ministério Público, os documentos estavam juntados ao processo do Supremo. A questão foi estabelecida junto ao MPF e devido a isso não precisamos juntar novamente”, afirmou Bulhões.

Delações

Em 30 de janeiro deste ano, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, homologava 77 delações da Odebrecht. Entre elas, a de Marcelo Odebrecht. Em maio, o STF divulgou os vídeos de todos os depoimentos dos executivos. Em um deles, Marcelo Odebrecht admite que a empresa contribuiu com doações de campanhas eleitorais por caixa dois.

“Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha conseguido fazer uma eleição sem caixa 2. O cara pode dizer que não sabia, mas recebeu dinheiro do partido que é caixa 2. É um ciclo vicioso que se criou. O político que disser que não recebeu caixa 2 está mentindo”, declarou na delação.

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