Odebrecht passa oito horas reunido com procuradores e reforça sinais de delação

Mariana Ohde


Da BandNews Curitiba

O empresário Marcelo Odebrecht passou a quinta-feira (4) reunido com procuradores da força-tarefa Lava Jato, na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. O executivo está preso desde junho de 2015, quando foi detido na 14ª fase da Operação Lava Jato, a Erga Omnes.

A reunião, que começou por volta das 10h e terminou às 18h30, seria mais uma etapa do acordo de delação premiada que o empresário negocia com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A negociação segue em sigilo, mas vem sendo apontada, há alguns meses, como uma possibilidade pela empresa. Em maio, executivos da Odebrecht assinaram um acordo de confidencialidade com a força-tarefa, um dos primeiros passos na negociação de uma colaboração.

Ao deixar a sede da PF, o advogado Theo Dias, que está à frente das negociações da delação de Marcelo Odebrecht, não quis confirmar o teor da reunião. “Não tenho como dar nenhum tipo de informação. Não posso confirmar nem negar”, disse apenas aos jornalistas que o aguardavam.

No mês passado, o advogado Nabor Bulhões desistiu de dois atos da defesa técnica do ex-presidente do Grupo Odebrecht. Primeiro, ele abriu mão de tomar o depoimento da presidente afastada Dilma Rousseff como testemunha de defesa. Depois, desistiu de um pedido de revogação de prisão que havia apresentado no começo de julho. Bulhões não apresentou justificativas, mas disse que o motivo está em sigilo. A sequência de desistências foi vista como sinal de que o acordo de delação premiada poderia estar mais próximo.

Envolvimento

O empresário Marcelo Odebrecht está detido atualmente na Superintendência da PF em Curitiba. Odebrecht já foi condenado a cerca de 19 anos de prisão na Lava Jato e responde a mais dois processos. Um deles apura o pagamento de pelo menos US$ 200 milhões em propina. Desse total, US$ 30 milhões teriam sido destinados à gerência de serviços da Petrobras, comandada por Renato Duque. De acordo com os investigadores, metade desse valor foi destinada ao Partido dos Trabalhadores (PT) e o restante a funcionários da estatal.

Marcelo Odebrecht também é investigado na ação penal que apura o setor de operações estruturadas da empreiteira, que funcionava como uma espécie de indústria de propina dentro da empresa. O departamento teria movimentado R$ 46 milhões.

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Repórter no Paraná Portal
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