Operação Lava Jato
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Odebrecht recorreu a Lula até 2014, indicam e-mails

Rafael Neves, Metro Jornal CuritibaA Polícia Federal (PF) reuniu, em um relatório, e-mails internos do grupo Odebrecht p..

Fernando Garcel - 31 de outubro de 2016, 09:10

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

A Polícia Federal (PF) reuniu, em um relatório, e-mails internos do grupo Odebrecht para reforçar a versão de que o ex-presidente Lula era tratado como “amigo” na cúpula da empreiteira.

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Uma planilha indica o apelido como recebedor de pelo menos R$ 8 milhões da empresa. As mensagens foram coletadas de 2006 a 2014 e apontam várias ocasiões em que o grupo Odebrecht recorreu – ou pretendia recorrer – ao “amigo de EO ” para defender interesses da empresa.

A maior parte dos “serviços” de Lula seriam de interlocução com governantes da América Latina e da África onde a Odebrecht tinha obras. Na maioria dos e-mails, os executivos narram reuniões com o “amigo” ou discutem se é preciso acioná-lo. A PF reforça a convicção de que se trata de Lula porque as datas dos e-mails batem com as viagens dele, durante e depois de deixar a Presidência.

Em alguns casos, pelo que os textos dão a entender, o próprio Lula pedia favores à Odebrecht. Em 2007, por exemplo, os diretores discutiam a entrega de um sumário sobre a Usina de Santo Antônio, no Madeira (RO), que o petista teria encomendado.

“ pediu que providenciássemos um Estudo/ Plano Social, cujo teor ele possa usar politicamente”, escreve o diretor Claudio Melo Filho a Marcelo Odebrecht.

Meses mais tarde outro executivo do grupo, Irineu Meireles, escreve que, conforme a situação do contrato da mesma obra, “ainda teremos o recurso ao amigo de seu pai”.

A relação continuou quando Lula deixou o Planalto. No início de 2014, executivos discutem o roteiro de Lula em visitas a Cuba e a países africanos, e quando Odebrecht deve se juntar a ele na viagem. Não há evidências de ilegalidades nos e-mails, que foram elencados pela PF para demonstrar que o ex-presidente é o “amigo” citado.

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A defesa de Lula afirma que a PF se baseia em ‘achismos’ e que “a Lava Jato inventa acusações contra Lula com uma tabela de Excel, sem nenhuma base em provas ou movimentações financeiras”.