“Ofereceram um percentual e eu aceitei”, diz ex-diretor da Sete Brasil em depoimento a Sérgio Moro

Roger Pereira


Réu em ação penal que apura o pagamento de propina por contratos de estaleiros com a Sete Brasil, no âmbito da Operação Lava Jato, o ex-diretor de operações da Sete e ex-gerente internacional da Petrobras Eduardo Vaz Musa, admitiu que recebeu US$ 2 milhões em propinas, pagas em uma conta na Suíça, pelo estaleiro Jurong, que construiu sondas para a Petrobras.

Segundo Musa, ele entrou na Sete Brasil em substituição a Pedro Barusco e, ao assumir a diretoria, foi informado da prática de pagamentos de propina pelos estaleiros. “Quando Pedro Barusco saiu, me procurou, contou que havia o esquema e que como eu assumiria o lugar dele, eu passaria a receber um percentual. Eu aceitei”, resumiu, dizendo que, na Sete, os valores de propinas acertados eram de cerca de 1% dos contratos, divididos em três partes iguais: “Casa 1 (Petrobras), Casa 2 (Sete Brasil) e Partito (no caso, o PT)”. “Todos os estaleiros pagavam, e com a dificuldade de operacionalizar o percentual de cada estaleiro, ele (Barusco) setorizou. Determinado estaleiro pagava para determinada casa ou para o partido. No meu caso, eu passei a receber do estaleiro Jurong”, admitiu.

Musa disse não saber o que motivou os estaleiros a pagarem a propina. “Não havia nenhum tipo de favorecimento especial. Os contratos foram auditados pela Petrobras e tido como padrão no mercado. O acerto dos pagamentos é anterior à minha entrada. Não sei exatamente o que motivou os estaleiros a aceitarem esse tipo de acordo. Todos os contratos já estavam assinados e alguma obras em execução”. Sobre ter sido incluído no esquema ele disse que Barusco entendeu que “como eu estaria conduzindo a diretoria de operações, seria conveniente eu receber, caso viesse a ter algum tipo de pendência ou discussões, como eu estaria no esquema seria mais fácil resolver”.

Vaz Musa foi o primeiro réu a ser ouvido na fase final de depoimentos na ação penal que investiga o pagamento de propinas por estaleiros a dirigentes da Petrobras, da Sete Brasil e do PT. A oitiva dos réus segue até o dia 19, quando será ouvido o ex-ministro Antônio Palocci.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal