Operação Dragão: lavagem de dinheiro é alvo da 36ª fase da Lava Jato

Mariana Ohde


Os operadores financeiros Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran, investigados por lavagem de dinheiro de grandes empreiteiras são alvo, nesta quinta-feira (10), da 36ª fase da Operação Lava Jato. Duran foi preso nesta quinta e Assad já estava preso.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a partir das investigações foram encontradas evidências de que os operadores utilizaram-se de mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro, como uso de contas bancárias em nome de offshores no exterior, a interposição de empresas de fachada e a celebração de contratos falsos.

Preso nesta quinta, Rodrigo Tacla Duran teria sido responsável por lavar dezenas de milhões de reais por intermédio de pessoas jurídicas controladas por ele.

Diversos envolvidos no caso teriam usado essas empresas para gerar recursos e realizar pagamentos de propina, como a UTC Engenharia e a Mendes Júnior Trading Engenharia, que repassaram, respectivamente, R$ 9,1 milhões e R$ 25,5 milhões ao operador financeiro entre 2011 e 2013.

No mesmo período, outras empresas contratadas pela administração pública também realizaram depósitos de mais de R$ 18 milhões com o mesmo destino, segundo o MPF.

As investigações também apontam que Adir Assad, por meio de transferências de contas mantidas por suas empresas em território nacional, repassou R$ 24,3 milhões para Rodrigo Tacla Duran.

No mesmo sentido, empresas ligadas a outro operador, Ivan Orefice Carratu, pessoa ligada a Duran, receberam de Adir Assad a quantia de R$ 2,9 milhões

As provas coletadas em fases anteriores da Operação Lava Jato, somadas à análise das informações obtidas por intermédio de afastamentos de sigilo bancário, fiscal e telemático, permitiram identificar os operadores financeiros.

Operação Dragão

A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje a 36ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Operação Dragão. São cumpridas 18 ordens judiciais: 16 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva.

Aproximadamente 90 Policiais Federais estão cumprindo as determinações judiciais em cidades dos estados do Ceará, São Paulo e Paraná.

O empresário Adir Assad, que já está preso em Curitiba, é alvo de novo mandado de prisão. Assad foi condenado a nove anos e dez meses na Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ele foi preso em março de 2015, na 10ª fase.

Em dezembro de 2015, passou a cumprir prisão domiciliar, mas voltou à carceragem da PF em agosto por determinação do juiz Sérgio Moro.

O nome “dragão” dado à investigação policial é uma referência aos registros na contabilidade de um dos investigados que chamava de “operação dragão” os negócios fechados com parte do grupo criminoso para disponibilizar recursos ilegais no Brasil a partir de pagamentos realizados no exterior.

Previous ArticleNext Article
Repórter no Paraná Portal
[post_explorer post_id="396422" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]