Operação Lava Jato
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Operação Paralelo prende ex-gerente da Petrobras, substituto de Barusco

Por Andreza Rossini e Mariana OhdeA Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (27) a 39ª fase da ..

Mariana Ohde - 28 de março de 2017, 10:03

Por Andreza Rossini e Mariana Ohde

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A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (27) a 39ª fase da Operação Lava Jato, a Operação Paralelo. Segundo a PF, esta é mais uma fase que revela "sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de propina".

O alvo do mandado de prisão preventiva desta terça-feira (27) foi Roberto Gonçalves, ex-gerente Executivo da Petrobras, que sucedeu Pedro Barusco e esteve no cargo entre março 2011 e maio 2012. Segundo a polícia, ele "também sucedeu no recebimento de vantagens indevidas". O delegado Roberson Pozzobon afirma que havia uma espécie "herança" de propina. Os envolvidos ganhavam "direito" à propina e, mesmo saindo da Petrobras, continuavam recebendo valores.

A polícia buscou por Roberto no Rio de Janeiro, mas ele estava, na realidade, em Boa Vista, Roraima, onde tem familiares. Ele já foi localizado, preso e deve chegar a Curitiba nesta quarta-feira (29).

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Roberto já era investigado pela força-tarefa por causa de apurações feitas internamente pela Petrobras e citações em depoimentos de colaboradores da Lava Jato. Roberto chegou a ser preso em novembro de 2015, mas, segundo a PF, ainda não havia provas suficientes para justificar a continuidade da prisão. Em setembro do ano passado, ele foi indiciado pelo recebimento de US$ 1,2 milhão em propinas, valor pago por Ricardo Pessoa, diretor da UTC Engenharia, e Mario Góes, operador financeiro e intermediário entre executivos e agentes públicos.

Porém, só no início deste ano as autoridades suíças confirmaram contas ligadas ao investigado e as tentativas de transferir esses valores para outros países, o que poderia dificultar sua recuperação. Com isso, Roberto volta a ser alvo da Lava Jato e de mandado de prisão preventiva, sem prazo de soltura.

Operação Paralelo

Agora, na Operação Paralelo, é investigada a suspeita de que Roberto Gonçalves recebeu, da UTC e da Odebrecht, propinas por obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), segundo a PF.

Foram identificadas cinco contas bancárias na Suíça para receber as vantagens indevidas. Em uma delas, em 2011, foram depositados mais de US$ 3 milhões, decorrentes de offshores ligadas à Odebrecht. Em outra conta, houve depósito de mais de US$ 1 milhão, que seria proveniente de uma conta de Renato Duque, abastecida por recursos de Guilherme Esteves, que intermediava propinas. Em outra conta, foi registrado um depósito da UTC, feito por Mario Góes. As contas foram abertas por offshores de Bahamas e Panamá. Depois de abril de 2014, os recursos foram transferidos para outros países, entre eles as Bahamas, para tentar dissipar valores e driblar as autoridades brasileiras. Este foi um dos fundamentos para a prisão preventiva de Roberto.

Outro alvo é a corretora Advalor, que já apareceu nas investigações na viabilização do pagamento de valores indevidos. Teriam sido movimentados mais de R$ 6 milhões através da empresa, que, segundo a PF, funciona de forma regular, mas foi usada pelos investigados para práticas ilícitas. A polícia identificou o ocultamento de recebimento de valores e lavagem de dinheiro por meio da empresa - não apenas por Roberto Gonçalves, mas também de Mario Góes e Pedro Barusco, que já disseram explicitamente que usaram os serviços da corretora em depoimento. Ainda de acordo com a PF, os mandados de busca e apreensão cumpridos na empresa foram justificados após a revelação de que a empresa escondia atividades ilícitas da força-tarefa.

Segundo Pozzobon, o esquema afetou gerências da Petrobras por muitos anos. "Esse caso afetou uma mesma gerência mesmo quando o seu representante foi substituído", disse.