Outros partidos também podem ser processados na Lava Jato

Roger Pereira


(Com Francielly Azevedo)

O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dalagnol admitiu, durante coletiva para anunciar a ação por improbidade administrativa ingressada contra o Partido Progressista (PP) e 10 políticos da sigla, que as outras legendas investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público por fraudes em licitações e recebimento de propina por contratos da Petrobras também podem sofrer ações semelhantes. “É possível e vai ser avaliado num momento oportuno conforme as investigações amadureçam”, disse o procurador da República. PT e PMDB foram os outros partidos que tiveram dirigentes denunciados na Lava Jato. “Existe um amadurecimento natural das investigações e no momento propício elas chegarão a outros partidos”, acrescentou o procurador.

Na entrevista, o procurador disse que a corrupção vale a pena porque no âmbito político existem campanhas caríssimas e muitos candidatos. O que facilita a arrecadação de propina. “Um sistema que estimula e facilita a prática de corrupção. No Brasil, infelizmente a corrupção ainda compensa”, lamentou. Como exemplo, ele citou que na ação em questão, o montante arrecada em propina pelo PP (R$ 296 milhões), é maior que o que o partido levantou junto ao fundo partidário no período da investigação (R$ 179 milhões).

A força-tarefa da Operação Lava Jato, do Ministério Público Federal (MPF), em Curitiba, ingressou com uma Ação de Improbidade Administrativa contra o Partido Progressista (PP). O pedido envolve dez políticos da sigla e um ex-assessor parlamentar do falecido deputado federal José Janene. Esta é a primeira ação da Força-tarefa da Lava Jato contra um partido político. A ação civil pública foi ajuizada no último dia 22 de março e pede o pagamento de mais de R$ 2 bilhões, perda dos cargos, suspensão de direitos políticos e perda dos direitos de contagem e usufruto da aposentadoria pelo Regime Especial.

No documento, foram descritos dois esquemas de desvios de recursos da Petrobras: um envolvendo contratos vinculados à Diretoria de Abastecimento e outro referente aos benefícios obtidos decorrentes da atuação da Diretoria de Abastecimento em prol dos interesses da Braskem, especialmente no contrato de comercialização de nafta entre a estatal e a referida empresa petroquímica. A Braskem faz parte do Grupo Odebrecht. “As licitações eram ganhas como em jogos de cartas marcadas. O grupo escolhia a empresa e decidia quem iria ganhar”, explicou o procurador da República, Deltan Dallagnol.

As atividades ilícitas foram enquadradas nas três modalidades de improbidade, mas se pediu que sejam aplicadas as sanções mais graves, referentes às situações que geram enriquecimento ilícito, e subsidiariamente as demais sanções. A responsabilização envolve dos ex-deputados federais Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), João Pizzolatti (PP-SC) e Mário Negromonte (PP-BA), e dos deputados federais Nelson Meurer (PP-PR), Mário Negromonte Júnior (PP-BA), Arthur Lira (PP-AL), Otávio Germano (PP-RS), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e Roberto Britto (PP-BA), além de João Genu, ex-assessor parlamentar do falecido deputado federal José Janene. Segundo a denúncia, “vários políticos receberam mesada em torno de 30 mil reais”.

 

 

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Repórter do Paraná Portal
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