Palocci contrata escritório de advocacia em Curitiba para negociar “delação-bomba”

Jordana Martinez


O ex-ministro Antônio Palocci contratou um escritório de advocacia de Curitiba para negociar com a força-tarefa Lava Jato um acordo de delação premiada.

Fontes ouvidas pela BandNews FM Curitiba apontam que o petista procurou criminalistas com experiência na estratégia de defesa para  especialistas no assunto para desenvolver os termos junto ao Ministério Público Federal (MPF).

Os advogados que tomam a frente da negociação são os mesmos que fecharam o acordo de outros delatores conhecidos da Operação Lava Jato, como o doleiro Alberto Youssef e o empresário Júlio Camargo. Os acordos de delação premiada preveem cláusulas de sigilo. Por esse motivo, os advogados responsáveis pela negociação não podem se manifestar.

Operação Omertà 

Antônio Palocci está detido na capital paranaense desde setembro do ano passado, quando foi preso preventivamente na Operação Omertà. Ele é acusado de receber em nome do PT propinas pagas pela empreiteira Odebrecht. Em contrapartida, Palocci defendia os interesses da empreiteira junto ao Governo Federal.

O advogado responsável pela defesa de Palocci, José Roberto Batochio, não foi encontrado pela reportagem. A força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF) – por questões de sigilo – não comenta a negociação de acordos de delação premiada em andamento.

Palocci “delação-bomba”

Na última quinta-feira (20), em quase duas horas de depoimento ao juiz da Lava Jato Sérgio Moro, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou que que todos os governos trabalharam em função da empreiteira Odebrecht.

Palocci declarou que nunca pediu recursos financeiros para empresas na condição de ministro, nem fora do Brasil, e que não operou caixa 2, mas que sabe de sua existência em todas as campanhas. “Não me sinto na condição de falar o que todo mundo está falando, que ‘nada existiu e que foi aprovado nos tribunais’, todo mundo sabe que houve caixa 2 em todas as campanhas”, declarou o ex-ministro.

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Na oitiva, Palocci falou sobre a crise econômica que atingiu o país no período em que foi deputado e, depois, ministro nos governos de Lula e Dilma e sobre a intensa rotina de reuniões com empreiteiros, entre eles empresários da Brasken e da Odebrecht.

Ele também afirmou que foi contrário a aprovação da Medida Provisória 460/2009, que segundo a Polícia Federal (PF) foi encomendada pela Odebrecht para proporcionar benefícios fiscais e aumentar a linha de crédito junto ao BNDES.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.